"Contos de fadas são mais que verdade; não porque nos dizem que dragões existem, mas porque eles nos dizem que dragões podem ser derrotados." G. K. Chesterton


A Chave da Fantasia: a importância de Monteiro Lobato para minha escrita

Monteiro Lobato by drakonos85
Tudo teve início porque Dona Benta andava arrasada com os horrores da guerra e a sua tristeza entristecia o Sítio do Picapau, outrora tão alegre e feliz. E foi justamente por causa dessa tristeza que Emília planejou e realizou a mais tremenda aventura. Querendo acabar com a guerra, por um triz a boneca não acabou com a humanidade inteira.

Essas poucas linhas me conduziram por uma história fantástica e muito divertida, com altas doses de aventura e crítica social. Publicada em 1942, por Monteiro Lobato, continuava tão atual e cativante para mim, um garoto na primeira década do seculo XXI, quanto deveria ter sido atual para os garotos e garotas que leram na época de sua publicação.

A Chave do Tamanho me marcou profundamente, antes de tudo, como leitor, pois foi a primeira obra de Lobato que eu havia lido. Eu já tinha outras leituras de fantasia feitas anteriormente, mas nenhuma delas conseguiu deixar marcas tão profundas quanto esse livro; o tom fantasioso ali fazia fronteiras com diversos assuntos: a guerra, o pior e o melhor do homem, uma sociedade utópica, moldada após eventos surreais, cenas um tanto violentas, etc.

E me marcou eternamente como escritor. Em especial de literatura fantástica.

Há quem veja na fantasia, em especial, um gênero escapista, cujo enredo se faz em cima de eventos fabulosos e com pouco apego à realidade, descompromissado com a lógica... e isso provoca olhares tortos quando, por exemplo, eu digo que escrevo, acima de tudo, fantasia. Em parte, talvez, deva-se ao preconceito em cima da literatura fantástica (fantasia, horror e ficção científica e toda a infinidade de subgêneros dos três); em outra, aos meus contemporâneos literários, que agarram os tropos e os clichês de forma irresponsável, buscando efeitos nada mais do que passageiros, sem um cuidado seja com a linguagem, mensagem e algo mais, por mais que seja uma literatura de entretenimento ou escapistas (coisas que faço e não é elemento desmerecedor de nada e tampouco retira qualidade do material).

Mas Lobato me mostrou que é possível entreter, oferecer uma fuga da realidade ao leitor, e ainda assim fazê-lo refletir e pensar sobre a realidade em que vive... e sem ficar algo entediante, desprovido de graça ou emoção. Não é simplesmente buscar construir uma crítica social foda para lacrar, é espelhar-se ao nosso redor, nos problemas de nosso tempo, para montar uma história poderosa e verossímil, capaz de cruzar os tempos e as gerações. Algo que curso algum ensinará a fórmula, creio eu.

Existem outros autores, é verdade, com tal habilidade, em diversos países, idiomas e gêneros, mas, dentro do que leio, encontrei algo assim na trilogia Fronteiras do Universo, de Philip Pullman, e no livro Sete Minutos Depois da Meia-Noite, de Patrick Ness, por exemplo.

Só que, durante minha formação inicial como escritor, encontrar em Monteiro Lobato os pilares para moldar-me como pessoa e escritor foi essencial, pois definiu tudo o que viria a culminar em A Guerra dos Criativos e Anamélia.


Minha alma pulp clama por experimentação

Arte de Robert Fuqua (1905-1959)
O quarto mês de 2018 avança.

Por ora, já consegui publicar 5 títulos, iniciando a campanha em dezembro do ano passado: ZaíraA Estrela, Obsolescência, O Cão Negro e, por fim, Lésmicas. Por ora, respectivamente, já cobri os gêneros de fantasia sombria, fantasia épica, distopia, horror e sátira.

Para os próximos meses, a meta é publicar, um por mês, títulos que cubram a fantasia urbana, fantasia infantojuvenil, stonerpunk e novela policial.

Há contos, noveletas, novelas e alguns romances na longa fila, mas creio que eu não vá conseguir entregar, este ano, algo com mais de 50 mil palavras. Então vou me concentrar em obras menores, histórias que fui deixando pela metade, aventuras que posso entregar até dezembro deste ano.

Enquanto digito este texto diretamente no blog, estou com um projeto quase pronto que me foi encomendado; cyberpunk, um gênero um pouco complicado de se fazer, pois envolve muita pesquisa científica. Nos documentos recentes que abri, um romance planetário em parceria, que precisarei reformar, uma fantasia urbana numa Londres alternativa, um romance de horror cósmico e fantasia que depende da leitura futura de um clássico que está para ser lançado...

Eu gosto de ser versátil, de não ter medo de arriscar algo novo, de errar e ver que aquilo não combina comigo; às vezes não acerto de imediato, mas um dia esbarro no tom adequado, no melhor estilo. É assim que algumas ideias se formam, nascendo de aglomerados de tentativas, de erros e acertos, de experimentações, de ajustes e reajustes.

O fato é que eu não gosto de me ver rotulado como escritor de um gênero ou dois, se posso experimentar dezenas; não me apetece a honra de ser visto como autor de uma ideia ou duas, se posso tentar e escrever várias e várias seguidas, errando numas e acertando noutras.

Então... que 2018 seja um ano que eu possa explorar melhor minhas ideias e cumprir a cota mensal de um título publicado na Amazon, seja conto, noveleta ou novela.

GIF #28


Jurassic World, de 2015


Arte do Dia #578

Algumas belas artes de Ixalan.

Blatant Thievery by Victor Adame Minguez
Crumbling Necropolis by Volkan Baga
Mass Mutiny by Sidharth Chaturvedi
Prey Upon by Deruchenko Alexander
Saproling Token by Joseph Meehan
Zealous Persecution by Sara Winters