Autopublicar-se está caríssimo


Um amigo, orçando a impressão do novo livro dele, disse-me que, com orelhas, cada exemplar tem seu custo aumentado em R$ 5,00. Ou seja, se cada exemplar custar, para ser impresso, R$ 15,00, ele passa a custar R$ 20,00 só para ter aquelas orelhinhas bonitas que muito leitor evita usar para marcar a página em que parou, mas acha bonito ter, afinal vai preservar a capa por mais tempo.

Se for observar, o simples fato de usar papel pólen 80g (o famoso amarelado que todo mundo ama) ao invés do offset 75g (o branco que muitos desprezam) acrescenta mais sei lá quantos centavos no custo. E acontece o mesmo com a escolha de usar ou não capa com ou sem laminação, se é laminado fosco ou brilhante.

Isso ficando apenas em custos de impressão.

Se formos mais longe, tem o frete para o pacote com os exemplares chegarem ao autor.

Antes disso, custos com revisão, capa/ilustrações, diagramação, etc.

Calculando tudo e sendo frio e racional, o resultado é autopublicar-se está caríssimo. E não vale mais a pena. Ao menos com tiragens impressas.

Pelo menos foi o que concluí há quase dois anos, quando desisti de imprimir meus livros e me concentrei apenas em edições digitais. E acompanho entristecido cada vez mais colegas escritores constatarem isso e abandonarem.

Claro que não adianta apontar culpados, mas o fetichismo pelo livro impresso (com orelhas bonitas, capa laminada, papel pólen 80g ou superior, capa dura, que é algo praticamente inviável a um autor independente pelo altíssimo custo) torna tudo mais complexo.

Não há pecado em se querer livros bem editados e com material de qualidade. Qualquer autor com bom senso vai querer entregar algo assim ao leitor. Mas, exceto se você tiver problemas visuais, qual é o problema com um papel offset, por exemplo? Ou que leitor descuidado você é para precisar de orelhas que nunca serão usadas para marcar uma página, pois sem elas a capa se danificará?

Eu, por exemplo, adoro livros em capas duras, de preferência antigos. O amarelado de alguns livros que tenho é resultado da passagem do tempo. Outros, estão com as capas remendadas. Mas o conteúdo está lá, intacto. E acho que é isso que importa, afinal: conteúdo.

E entendo perfeitamente a necessidade de querer um livro maravilhoso com um preço que cabe em seu bolso, afinal ninguém quer pagar mais do que R$ 35,00 por um livro autopublicado, não é mesmo? Economizando uma graninha com um autopublicado, dá para comprar aquela edição que custa o dobro, mas publicada por uma editora conceituada no mercado, não é verdade?

Mas, caro leitor, da próxima vez que um autor independente publicar um livro e o vender, preste atenção à sua volta, nos custos dos produtos que consome, no valor de uma carta registrada ou PAC, observe a situação do país e, por Deus, lembre-se que a edição que ele conseguiu fazer pode ter lhe custado meses de salário.