1 de dezembro de 2016

Como escrever contos?


É comum os escritores que já escreveram bastante e publicaram certo número de obras darem sugestões das mais diversas naturezas, seja para criação de personagens, elaboração de tramas, dicas de escrita, etc.

Não é minha intenção, contudo, ser didático e ensinar o caminho, afinal sou muito mais aprendiz do que mentor, sou muito mais experimental do que apreciador de fórmulas fixas. E tampouco conheço a metade das regras gramaticais necessárias. Parafraseando Edgar Rice Burroughs, eu devo quebrar todas as fórmulas e regras de escrita possíveis enquanto escrevo.

Em geral, estipula-se que um conto é uma narrativa curta a média, cujo tamanho não deve ser superior a 7,5 mil palavras. Uma noveleta, por sua vez, possui como tamanho-limite 10 mil palavras a mais. Pode ou não ser dividido em capítulos pequenos.

Tendo essa informação em mente, imagine que a narrativa ficcional é como uma luta de boxe, assim como exemplificou o argentino Júlio Cortázar: a história apresentada num conto deve ser como uma luta vencida com um knockout, enquanto a num romance por pontos, ou seja, mais demorada.

Quando comecei a me aventurar por contos, tive muita dificuldade, pois estava acostumado com novelas e romances, onde eu podia desenvolver mais lentamente a trama e os personagens. Então, lembrei de algo que li, anos antes, em algum livro, e é a dica que segui para determinar minha escrita e acho válida para repassar a quem quer escrever contos.

Imagine um casamento e seu desdobramento, de acordo com a narrativa que deseja empregar:
  • Num conto, a história será concentrada quase que exclusivamente para o dia do casamento ou horas antes e depois da cerimônia. Não há espaço para conhecermos muito dos personagens ao redor dos noivos, e o espaço costuma ser limitado.
  • Numa noveleta, a história será centrada em alguns dias antes do casamento, expondo mais dos noivos, padrinhos e pais dos noivos, com mais possibilidade de cenário. Por possuir mais do dobro do tamanho de um conto, a possibilidade de desenvolver melhor os personagens é maior.
  • Numa novela, a história será centrada nas semanas ou meses antes do casamento e pouco tempo depois. Geralmente segue ordem cronológica. Há a possibilidade de desenvolver muito mais os personagens envolvidos. Diz-se que, assim como o conto e a noveleta, possui apenas um núcleo de conflito.
  • E num romance, a história será centrada nas vidas dos noivos, da infância até muito depois do casamento, assim como em passagens relacionadas aos demais personagens. É mais amplo o espaço para se desenvolver subtramas e conflitos paralelos, assim como os personagens apresentados.
É preciso deixar claro, porém, que é uma base bem antiquada, afinal, os critérios para separar conto de noveleta, noveleta de novela e novela de romance variam muito, embora o mais comum seja pela quantidade palavras. Mas, sabendo que um conto funciona como um capítulo de uma história, a chance de conseguir pensar, planejar e executar uma história curta é bem maior do que apenas escrever sem controle.

Um exercício que pode disciplinar o poder da síntese para quem quer escrever contos é narrar um acontecimento presenciado, algo que aconteceu em minutos ou poucas horas, como um passeio no parque ou a ida ao cinema. É uma forma simples de controlar o impulso de apenas escrever sem parar e ter um texto extenso demais.

Por fim, não é uma regra, não é uma fórmula. Pode ser completamente ignorada, afinal o que funcionou comigo não funcionará com todos. Se alguém seguir e tiver resultados positivos, pode me avisar. Ou sugerir algo, pois eu adoraria saber o processo de cada um.

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