Resenha #3: O Planeta dos Dragões [Jack Vance]

Ano: 1979
Páginas: 115
Editora: Francisco Alves
SINOPSE: Jack Vance é autor de vários livros de fantasia espacial e ficção científica, com The Dragon Masters, 1962, foi vencedor do prêmio Hugo por melhor história curta em 1963.

No planeta Aerlith, os homens procuram reconstruir a civilização perdida. No passado, com suas astronaves e ciência avançada, a raça humana conquistara e colonizara toda a galáxia; agora só restam pequenos núcleos isolados, entregues à própria sorte. E o que é pior: destruindo-se mutuamente em guerras inúteis, frutos de inveja, ambição e poder. Perdida a tecnologia antiga, recorrem às armas primitivas, como se tivessem voltado à Idade Média. E dispõem de estranhos dragões, uma raça domesticada e aperfeiçoada durante séculos para a finalidade exclusiva da guerra. Tais animais levam nomes sinistros e possuem uma aparência diabólica. Como se toda essa autodeterminação ainda não bastasse, são os ataques periódicos de seres vindos de outro planeta - os Básicos - que destroem tudo em nome de uma "Regra" monstruosa, levando os homens como prisioneiros e submetendo-os à condição de seres inferiores e primitivos. Além dos homens e dragões, vivem em Aerlith os sacerdotes, uma raça misteriosa de homens que andam nus e só falam quando interrogados. Praticam uma espécie de misticismo zen, embora seu raciocínio obedeça a uma lógica implacável, e não são tão inocentes e pacatos como parecem. Joan Banbeck, portanto, sonha em vencer os Básicos e retomar a gloriosa jornada do Homem pelo Universo.


Como sempre faço, um aviso: li esta história por meio de uma edição pirata disponivel na Internet. Acredito, sim, que determinadas obras devem ser disponibilizadas gratuitamente para que pessoas possam ter acesso, em especial as que não se encontram mais em catálogo, mas não divulgarei onde encontrar o livro.

E 1963 provavelmente foi um péssimo ano para publicações do gênero, pois eis um livro que não merecia o prêmio que recebeu.

O conceito de "dragão" é bem simples: qualquer criatura, usada ou para montaria ou para combate, resultado de um processo de cruzamentos entre espécies e adestramento. Cada espécie possui um nome genérico com substantivo e adjetivo, características específicas e função numa batalha. Os demais detalhes são apresentados na sinopse.

E aí que começam os problemas. Vários problemas.

A começar que nenhum personagem é devidamente desenvolvido. Até chega a ser caricata a forma como um deles é apresentado ao longo das páginas. Assim como há páginas e páginas de uma simplória subtrama que quase nada acrescenta e só serve para um tour no mundo fantástico. Há pobreza descritiva, há pouca profundidade. E os nomes dos dragões são jogados um após o outro e não tem quase nem como diferenciar um do outro ou recordar os nomes.

Mais da metade em diante, as tramas exploradas inicialmente (a dos sacerdotes e a da rivalidade) são abandonadas para uma longa (e até empolgante) sequência de invasão e luta dos humanos contra os alienígenas invasores. Mas o estrago já está feito e em pouco tempo nada mais será lembrado.

Uma pena, pois o autor tinha um belo mundo, cheio de criaturas e subtramas que poderia render, no mínimo, um romance, mas ele se limitou a uma novela sem alma.

NOTA: 5,1