Gêneros Literários #4: Space Western

Quando comecei a listar os gêneros literários, há alguns anos, fui percebendo como os três principais da literatura fantástica (fantasia, horror e ficção científica) iam se ramificando, ora se entrelaçando em características, peculariedades definiam termos, histórias que pareciam de um gênero, mas eram de outro ou que mesclavam vários. Com o tempo, compreendi que essa mistura de elementos deixava as histórias mais atraentes, mais divertidas, esse caminhar por trilhas aparentemente conhecidas, mas com equipamentos novos ou que seriam estranhos para aquela função.

O gênero de hoje é um desses que mesclam características e elementos diversos.

Space western by Mokolat-Illustr
Segundo a Wikipédia, space western "é um subgênero de ficção científica que usa os temas e tropos de westerns dentro de histórias de ficção científica". Dentre as influências, que podem ser sutis ou não, podemos "incluir a exploração de novas fronteiras, sem lei" e até mesmo a presença de "cowboys literais no espaço que usam armas de raio e cavalos robóticos de passeio".

O site TVTropes explica que "a idéia é que as vastas distâncias espaciais formaram barreiras e dificuldades semelhantes às enfrentadas pelos colonizadores americanos ao cruzarem e desenvolverem o continente, forçando o povo a se tornar independente ou mesmo insular, com a ajuda de qualquer autoridade central (se houver) que reivindicou a terra por muito tempo". Sendo assim, "a tecnologia irá variar", mas "geralmente sendo cada vez menos alta" conforme "mais longe você fica do centro da civilização. Isso faz com que uma curiosa mistura de elementos aparentemente anacrônicos, como robôs e cavalos sendo usados ​​ao mesmo tempo (é claro, cavalos de robô são uma opção comum também)". 

"Essencialmente, trata-se de nostalgia, alegoria ou pragmatismo que cumpre o fato de que o espaço é o último território inexplorado, ignorando que armas e antiautoritarismo se misturam mal com frágeis sistemas de apoio à vida." Não é incomum o surgimento de um herói ou um grupo de heróis aparecem montados ou voando, "usando chapéus de cowboy". E "dependendo de quão épica a história é, o space western também pode ser um pouco de uma space opera" e "pode envolver mineiros de asteroides".

Como já dito, o space western "pode enfatizar a exploração espacial como 'a fronteira final'. Esses temas ocidentais podem ser explícitos, como os cowboys no espaço exterior, ou podem ser uma influência mais sutil na space opera. Gene Roddenberry descreveu Star Trek: The Original Series como um space western. Firefly" e o filme Serenity, de 2005, "literalizou os aspectos ocidentais do gênero popularizado por Star Trek: usou cidades de fronteira, cavalos e o estilo dos westerns clássicos de John Ford".

Arte de Kekai Kotaki
"Os westerns influenciaram as primeiras revistas pulp de ficção científica. Os escritores submetiam histórias em ambos os gêneros, e as revistas de ficção científica às vezes imitavam a arte das capas westerns para mostrarem paralelos. Na década de 1930, CL Moore criou um dos primeiros heróis ocidentais do espaço, Northwest Smith. Buck Rogers e Flash Gordon também foram influências precoces. Depois dos quadrinhos de super-heróis declinarem em popularidade na década de 1940 na América, quadrinhos westerns e de terror os substituíram. Quando os quadrinhos de terror se tornaram insustentáveis ​​com a Comics Code Authority em meados da década de 1950, os temas de ficção científica e os space westerns ficaram mais populares. Em meados da década de 1960, filmes westerns clássicos caíram em desuso" e "a ficção científica, como Lost in Space e Star Trek, apresentou uma nova fronteira a ser explorada e filmes como Westworld rejuvenesceram os westerns, atualizando-os com temas de ficção científica. Peter Hyams, diretor de Outland, disse que os chefes de estúdio nos anos 80 não estavam dispostos a financiar um western, então ele fez um space western em vez disso. As space operas, como a série de filmes Star Wars, também tomaram pistas fortes dos westerns: Boba Fett, Han Solo e o Mos Eisley Cantina foram baseados em temas western. Esses filmes de ficção científica e séries de televisão ofereceram os temas e a moral que os westerns fizeram anteriormente."

"Esta visão de fronteira do futuro é apenas uma das muitas maneiras de olhar para a exploração do espaço, e não é abraçada por todos os escritores de ficção científica. O Turkey City Lexicon, um documento produzido pela oficina de escritores de ficção científica da cidade de Turquia, condena o space western como a forma 'mais perniciosa'", por fazer uso de um mundo "pré-estabelecido, evitando a necessidade de criar novo. Galaxy Science Fiction publicou um anúncio na contracapa, 'Você nunca vai vê-lo na Galáxia', que deu início ao fabuloso paralelo entre western e histórias de ficção científica com um personagem chamado Bat Durston. Tais ataques mordazes ao subgênero, junto com outros ataques à space opera, causaram a percepção de que todos os westerns do espaço eram, por definição, uma escrita preguiçosa e não uma 'verdadeira' ficção científica. Embora os temas subjacentes tenham influenciado, esse preconceito persistiu até os anos 80, quando foi lançamento Outland e desenhos infantis, como Bravestarr e The Adventures of the Galaxy Rangers, tornaram novamente populares temas explícitos de cowboys no espaço. Na década de 1990, séries de anime como Cowboy Bebop, Outlaw Star e Trigun se tornaram ótimos exemplos do gênero. Na década de 2000, Firefly ganhou aclamação da crítica, causando ainda uma reavaliação crítica sobre os space westerns. Jogos como StarCraft e a série Borderlands também popularizaram o tema."

Além de todos os exemplos citados, o verbete em TVTropes traz uma extensa lista com filmes, livros, história em quadrinhos, séries, músicas, jogos e muito mais. Vale uma olhada para quem quiser procurar algum material legal para conhecer melhor o gênero, sobretudo por ser uma lista com obras antigas e bem recentes, além de algumas traduzidas (HQs e livros) ou facilmente encontradas legendadas ou dubladas (no caso de séries e filmes).

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