Para quem você escreve?


Em quase 10 anos de caminhada pelo mercado literário, conheci dezenas (ou mais de uma centena) de pessoas, que formam variados perfis de escritores, de meros e felizes escrevinhadores de ótimas ideias a bem-sucedidos e soberbos autores de obras aclamadas por milhares de leitores.

Alguns escritores são sujeitos que escrevem e quase imediatamente publicam seus textos; outros, levam anos entre a escrita e as sucessivas melhorias do texto; há aqueles que preferem escrever e engavetar a história por muito, muito tempo; há também os que confiam que, ao final de uma longa série de escrita, compondo todo o conjunto de uma extensa obra, vai conseguir o sonhado espaço no mercado.

Eu, por um bom tempo, escrevia a mão minhas histórias e, por falta de recursos, arquiva-as em pastas, caixas ou qualquer coisa que as preservasse. Posteriormente, ia digitando o que podia. Entre 2007 e 2011, minha vida como escritor se resumia a isso: escrever a mão e guardar. Quando, a partir de 2012, comecei a deixar mais de lado a escrita a mão, iniciei o longo processo de resgatar a papelada, digitando o que prestava e descartando o que era inútil. A Guerra dos Criativos, por exemplo, foi todo escrito a mão.

Se por um lado, em 2012, por motivos diversos, as pequenas editoras que publicavam literatura fantástica me lançavam a um ostracismo, por outro, para minha alegria, eu começava a descobrir a Amazon, que me permitiu não abandonar a escrita. Sucederam-se dezenas de publicações de lá para cá, inclusive em edição física, parcerias e trocas de conhecimentos valorosos.

Grande parte de minha evolução como escritor não seria possível sem um fator importantíssimo: mostrar-me. Por mais decepcionante que foram inúmeras experiências, por mais desilusões que eu tenha sofrido com o meio literário, se eu não tivesse exposto meus textos, nada disso teria ocorrido, eu não teria escrito tanto, produzido tanto e descoberto tanto.

Seja no Wattpad, seja na Amazon ou num blog, o escritor independente, no Brasil, precisa se mostrar, arriscar-se e dizer ao que veio. Não adianta cursos de escrita, conhecer técnicas ou escrever aquela série revolucionária quando o escritor se recusa a enfrentar o mais decisivo momento: encontrar seu público-alvo, e isso só é possível espalhando sementes, apresentando seu trabalho aos poucos. Sem isso, dificilmente uma editora vai se interessar por sua história de horror com demônios ou por sua série com criaturas fantásticas.

Um dos prazeres de minha escrita é escrever para mim antes de tudo e, posteriormente, encontrar outras pessoas que gostam das mesmas histórias; assim, aos poucos, vou formando um pequeno grupo de leitores que, mensalmente, vai lendo meus textos.

Portanto, é seu direito guardar tudo numa gaveta, em alguma pasta no computador, mas não espere uma carta de admissão de ninguém, pois até que você se mostre, meu caro, ninguém sabe o que ou sobre o que você escreve.

3 comentários:

  1. Sai do meu cérebro. XD Anotei há poucos dias um lembrete pra escrever um post pro meu blog a esse respeito também.
    Quanto a mim, sinceramente, sempre escrevi pra mim. Atualmente, ando pensando seriamente em escrever "pra fora", mais provavelmente para o blog, ensaiar a mão em alguma coisa que será publicada, mas mesmo assim, ainda vou continuar escrevendo pra mim.
    Acho que não pensar em 'mercado' me facilita nisso, mas confesso que tenho dificuldade em fazer qualquer coisa pros outros - no momento em que deixa de me agradar, eu deixo de querer fazer. Mas não estou criticando quem escreve pro mercado/público-alvo, eu apenas não conseguiria fazer.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Já me disseram que, se fosse para escrever só para mim, que deixasse engavetado.

      Eu sou da seguinte filosofia: escrevo para mim, sim, e publico o que eu achar mais legal; vai que alguém se interessa, né?

      Excluir
    2. Bem dessas. Tem muita coisa que já escrevi/quero escrever que é pra mim. E tem outras que eu escrevo porque gosto e quero, mas vejo como uma possibilidade de ir pra outros olhos algum dia.
      Sabe como é, a putaria pesada eu guardo só pra mim.

      Excluir