Piratas x Livros: O inimigo superestimado

Pirate by Crazymic
Após dois anos de pesquisa, escrita, edição e outros detalhes, lancei Colisão, romance que dava sequência aos eventos apresentados em A Guerra dos Criativos. Dediquei um mês de divulgação antes do lançamento, que consistia em cinco dias de gratuidade para quem quisesse adquirir a obra.

Dois ou três dias depois do lançamento, o e-book foi pirateado.

O que mais me incomodou não foi o ato de ser pirateado, e sim de ser pirateado dias depois de lançar e distribuir, de forma gratuita, um livro que dediquei dois anos de minha vida. Já tinham pirateado outros títulos meus, inclusive A Guerra dos Criativos, e eu não fiquei chateado.

O tempo passou, olho as vendas mensais e constato que o romance não alcançou números expressivos de vendas, leituras pelo programa de aluguel da Amazon ou sequer rendeu reviews ou resenhas, se comparado à obra que o originou.

Culpa da pirataria?

Eu poderia responder categoricamente que não, afinal A Guerra dos Criativos continua pirateado em sua edição mais antiga, enquanto a nova rende pequeninas vendas e um número alto de downloads gratuitos toda vez que faço uso da promoção. E há alguns títulos do projeto Primórdios do Fantástico Brasileiro que são gratuitos em algumas lojas, mas ainda assim rendem vendas. O mesmo se repete, em algum grau, noutros projetos em parceria.

Então, o que quero dizer com tudo isso?

A pirataria é ruim? Certamente. Mas prejudicial? Depende.

Como anarquista, defendo o acesso igual à cultura, seja um filme, um livro ou qualquer obra artística. Isso implica, em algum momento, ao uso de aplicativos torrent. É um dos motivos de eu criar o projeto de resgate de obras antigas da literatura fantástica brasileira, por exemplo. E é o que me faz apoiar os sites que distribuem gratuitamente um livro meu pirateado (e ataco cruelmente quem comercializa).

A Amazon, toda vez que upo um arquivo para vender em suas lojas, permite a escolha de controlar ou não o DRM de um e-book. Sempre marco negativo. Isso significa que há a proteção padrão, mas cada exemplar pode ser emprestado para alguém e lido em diversos dispositivos cadastrados, além de facilitar a quebra da proteção para a pirataria.

Há uma matéria interessante que aponta que quem usufrui de obras pirateadas podem adquirir, futuramente, os produtos originais. Não asseguro que se aplica a todos, mas eu costumo fazer isso (em especial com livros e filmes).

Mas voltando ao ponto deste texto.

A pirataria pode prejudicar as vendas de um livro independente ou de um autor em início de carreira? Talvez. E também pode ajudá-lo a alcançar mais leitores. O fracasso de vendas não está apenas relacionado ao livro estar pirateado; trata-se de um conjunto de fatores muito mais sérios: preço do livro (resultado de diversos elementos editoriais e de distribuição), marketing, etc. Cada caso é um caso, mas culpar a pirataria por todos os problemas é se cegar para a realidade.

Se um autor tem público, pirateado ou não, ele vai vender.

Agora, se um leitor não quer pagar 20, 30 ou 40 reais num livro, ou menos de 7 reais num e-book que quer tanto ler, recorrendo à pirataria, é simples e puro mau-caratismo mesmo. E novamente digo: o problema não é a pirataria, que iguala o acesso à cultura, e sim diversos fatores mais complexos.

Aprender a reconhecer os casos e contorná-los é o que faço. Funcionou com A Guerra dos Criativos; está funcionando com Colisão. O que não posso é culpar todo mundo o tempo todo e desistir de escrever.

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