"Contos de fadas são mais que verdade; não porque nos dizem que dragões existem, mas porque eles nos dizem que dragões podem ser derrotados." G. K. Chesterton

31 de março de 2017

Gêneros Literários #14: Ficção Mítica

Já tentei abordar por aqui o quanto o folclore e a mitologia podem influenciar e inspirar positivamente a literatura fantástica, em especial a fantasia, oferecendo infinidades de criaturas, temas, símbolos e histórias que podem ser revisitadas e recontadas ou apenas servirem de material-base. E seguindo em nossa longa jornada pelos gêneros literários conhecidos ou nem tanto, vamos iniciar alguns passeios por alguns que usam elementos mitológicos para criar aventuras.

Mythic Heroes by DenmanRooke
A ficção mítica (ou mythic fiction, em inglês) "é a literatura que está enraizada, inspirada ou que de alguma forma" faz uso "dos tropos, temas e simbolismo de mitos, lendas, folclore e contos de fadas. O termo é amplamente creditado a Charles de Lint e Terri Windling. A ficção mítica se sobrepõe à fantasia urbana e os termos são usados ​​às vezes indistintamente, mas a ficção mítica inclui também trabalhos contemporâneos em cenários não-urbanos".

"Windling promoveu a ficção mítica como co-editor (com Ellen Datlow) anualmente com volumes de The Year's Best Fantasy and Horror, durante dezesseis anos, e como editor do Journal of Mythic Arts."

"Embora a ficção mítica possa ser vagamente baseada na mitologia, freqüentemente usa personagens mitológicos conhecidos e arquétipos (como o malandro ou o trovador). Isso contrasta com a mitopeia, como as obras de J. R. R. Tolkien, que inventam suas próprias lendas e folclore ou oferecem panteões totalmente novos." [Fonte, em inglês]

Mythic Magic Items by DenmanRooke
No Goodreads, há uma lista de obras que se encaixam na fantasia mítica, incluindo as HQs Sandman e o livro Deuses Americanos, ambas criações de Neil Gaiman, as séries infantojuvenis Percy Jackson, de Rick Riordan, e Harry Potter, de J. K. Rowling.


30 de março de 2017



Gêneros Literários #13: Bizarro Fiction

Quando iniciei a série de postagens sobre gêneros literários, a lista já tinha aproximadamente 50 gêneros catalogados; de lá pra cá, aumentou para mais de 70. Algumas pessoas vieram até mim e sugeriram um ou dois, os quais incluí na planilha. De todos os gêneros, o que mais me cobraram é um dos mais bizarros. Literalmente.

Arte da capa do livro Bigfoot Crank Stomp, de Erik Williams
No TVTropesbizarro fiction (ou ficção bizarra, em tradução literal) é um "gênero literário contemporâneo conhecido por alta estranheza. Como a mídia impressa equivalente do filme cult, a bizarro fiction se esforça para ser não só estranha, mas também instigante e divertida de ler. Bizarro fiction tem lugar em uma realidade onírica alternativa, onde o inesperado, imprevisível, insondável ou simples horror é comum".

O site ainda apresenta alguns traços comuns ao gênero, sendo eles:

  1. Bizarro, simplesmente, é o gênero do estranho.
  2. É o equivalente da literatura para a seção cult na loja de vídeo.
  3. Como filmes de culto, bizarro às vezes é surreal, às vezes vanguardista, às vezes pateta, às vezes sangrenta, às vezes fica na fronteria com o pornográfico, e quase sempre completamente ultrapassa limites.
  4. Bizarro se esforça não só para ser estranho, mas fascinante, instigante e, acima de tudo, divertido de ler.
  5. Frequentemente contém uma certa lógica de desenho animado que, quando aplicada ao mundo real, cria um universo instável onde o bizarro se torna a norma e os absurdos são feitos possíveis e reais.
  6. A bizarro fiction foi criada por um grupo de editores de pequenas editoras, em resposta à crescente demanda de weird fiction e ao crescente número de autores que se especializam nela.
"Freqüentemente se sobrepõe com horror, humor negro e ficção científica" e "é distinta de new weird", podendo "conter uma afinidade para os gêneros" com sufixo punk.

A Wikipédia, por sua vez, acrescenta que a bizarro fiction possui "elementos de absurdo, sátira e grotesco, juntamente com surrealismo e ficção de gênero, a fim de criar obras subversivas, estranhas e divertidas. O termo foi adotado em 2005 pelas editoras independentes Eraserhead Press, Raw Dog Screaming Press e Afterbirth Books".

"Em geral, bizarro tem mais em comum com a ficção especulativa (ficção científica, fantasia e horror ) do que com movimentos avant-garde (como o dadaísmo e surrealismo), que os leitores e críticos frequentemente associam com ela."

Embora seja um gênero relativamente recente, algumas obras russas, como as do escritor Nikolai Gogol, em especial a história O Nariz, encontramos traços bizarros presentes. Um ótimo exemplo de filme seria John Dies at the End, de 2012, baseado numa HQ homônima, escrita por David Wong

29 de março de 2017