Gêneros Literários #10: Realismo Mágico

Não sei se já mencionei, mas a intenção da série de postagens sobre gêneros literários é apresentar tanto aqueles que já conhecemos quanto os que pouca gente conhece (ou conhece, mas não sabia o termo). No geral, faço traduções online, com algumas adaptações. Quando acho em português, reproduzo por aqui. Tudo com fontes (no caso, vários links) para o material original e sites ou blogs que apresentem obras, autores e informações complementares.

Dito isso, o gênero de hoje é um desses fáceis de encontrar material em português e certamente bem conhecido por muitos escritores e leitores brasileiros.

Arte de Rob Gonsalves
"O realismo mágico é uma escola literária surgida no início do século XX", sendo também conhecida como realismo fantástico ou realismo maravilhoso", termo este "utilizado principalmente em espanhol", e é "considerada a resposta latino-americana à literatura fantástica europeia."

Desenvolveu-se "fortemente nas décadas de 1960 e 1970, como produto de duas visões que conviviam na América hispânica e também no Brasil: a cultura da tecnologia e a cultura da superstição. Surgiu também como forma de reação, através da palavra, contra os regimes ditatoriais deste período".

Embora aparente desatenção "à realidade, o realismo mágico compartilha algumas características com o realismo épico, como a intenção de dar verossimilhança interna ao fantástico e ao irreal, diferenciando-se assim da atitude niilista assumida originalmente pelas vanguardas do início do século XX, como o surrealismo".

"Muitos consideram o venezuelano Arturo Uslar Pietri o pai do realismo mágico, mas os autores vêm de diversos países: Alejo Carpentier é cubano; Isabel Allende nasceu no Peru, mas possui ascendência chilena; Gabriel García Márquez, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1982, é colombiano; Manuel Scorza, que descreve em suas cinco novelas as lutas do campesinato dos Andes Centrais, é colombiano; Julio Cortázar e Jorge Luis Borges são argentinos; Murilo Rubião, José J. Veiga e Dias Gomes são brasileiros."

"Alejo Carpentier, no prólogo de Reino deste Mundo, enquadra sua obra no conceito de realismo maravilhoso, o qual o autor define como semelhante (sem ser idêntico) ao conceito de realismo mágico, característico da obra de Gabriel García Márquez."

O "conceito pode ser definido como a preocupação estilística e o interesse em mostrar o irreal ou estranho como algo cotidiano e comum. Não é uma expressão literária mágica: sua finalidade é melhor expressar as emoções a partir de uma atitude específica frente à realidade. Uma das obras mais representativas deste estilo é Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez".


A Wikipédia ainda oferece uma lista de características essenciais para uma obra ser considerada pertencente ao realismo mágico, embora varie de história para histórias inúmeros elementos, podendo, inclusive, uma obra não ter nenhuma das características e ainda assim fazer parte do gênero (ou um gênero alheio ter tais elementos). São elas:

  • Conteúdo de elementos mágicos ou fantásticos percebidos como parte da "normalidade" pelos personagens.
  • Presença de elementos mágicos algumas vezes intuitivos, mas nunca explicados.
  • Presença do sensorial como parte da percepção da realidade.
  • Realidade dos acontecimentos fantásticos, embora alguns não tenham explicação ou sejam improváveis de acontecer.
  • Percepção do tempo como cíclico ao invés de linear, seguindo tradições dissociadas da racionalidade moderna.
  • Distorção do tempo para que o presente se repita ou se pareça com o passado.
  • Transformação do comum e do cotidiano em uma vivência que inclui experiências sobrenaturais ou fantásticas.
  • Preocupação estilística, uma visão estética da vida que não exclui a experiência do real.