Gêneros Literários #12: Teslapunk

O sufixo punk abrange diversos gêneros e serve para facilitar a criação de outros, passando da ficção científica à fantasia em questão de segundos. Já passamos por épocas pré-históricas (stonepunk), visitamos a Ásia (silkpunk), avançamos no tempo até o Renascimento (clockpunk), vislumbramos o horror extremo (splatterpunk) e conhecemos épocas contemporâneas em que os povos das fadas convivem conosco em zonas urbanas (elfpunk).

Mas o passado ainda guarda muitos elementos que inspiram os gêneros fantásticos.

Tesla City by Eddie Mendoza
No site da Editora Madrepérola, Maurício Coelho adapta o texto do verbete teslapunk presente em SF Sub-Genre Definitions, explicando que o termo é uma homenagem "ao cientista e inventor austríaco Nikola Tesla, um homem que revolucionou a história do mundo nos idos do século XVIII. Refere-se a narrativas ficcionais (ou estilos visuais) inspirados pelos precursores da energia elétrica e aparelhos elétricos dos séculos XVIII e XIX e início do século XX".

Sendo um "subgênero da ficção científica", "pode ser considerado pertencente ao retrofuturismo, isto é, ele seria um futuro de realidade alternativa criada a partir das invenções relacionadas à energia elétrica", portanto, a "narrativa ou estilo geralmente considera uma história alternativa onde a energia é extremamente barata (ou gratuita), limpa e muitas vezes portátil", substituindo "todas as fontes de energias anteriores (tais como madeira, carvão e petróleo e os motores a vapor), mas ainda pode ser substituído (ou talvez nunca será substituído) por outras fontes de energias próprias (como diesel ou energia atômica)".

"Em algumas histórias, as tecnologias de energia gratuita são largamente esquecidas nos dias presentes, mas somente porque são mantidas em segredos por algum governo ou outra organização que usa as tecnologias para controlar as massas (ou para proteger as massas, como no caso da série Warehouse 13). Outros itens são comumente utilizados no gênero teslapunk inclui armas de raio em estilo Art déco, robôs e foguetes espaciais" e também o "uso da informática de forma mais primitiva."

Assim como ocorre em outras histórias com sufixo punk, a eletricidade pode surgir "como uma 'energia limpa' para 'massas empoderadas eletronicamente'", num ambiente onde "existem muitos desafios morais, sociais" e afins, desafiando a "escassez da energia e o 'monopólio do combustível' que já foi relativamente bem utilizado nos Estados Unidos no início dos anos 1900".

A Editora Madrepérola editou e publicou uma antologia gratuita com contos teslapunk de autores brasileiros, mas infelizmente não o encontrei para download.

De recomendações, indico o filme The Prestige, de 2006, dirigido por Christopher Nolan, e o jogo indie em 2D Teslagrad, cujo trailer deixo abaixo como amostra.