"Contos de fadas são mais que verdade; não porque nos dizem que dragões existem, mas porque eles nos dizem que dragões podem ser derrotados." G. K. Chesterton


Resenha #7: Lagoena: O Portal dos Desejos [Laísa Couto]

Ano: 2014
Páginas: 272
Editora: Draco

SINOPSE: Rheita é órfã de mãe e a única neta de um joalheiro falido. Por mais que seu avô tente, os esforços para isolar essa garota de 10 anos do mundo e esconder sua verdadeira identidade são inúteis.

Inteligente e esperta, a curiosidade da garota leva-a a uma descoberta no antigo quarto da mãe. Encontra a metade de um mapa mágico, mas qual seria a relação disso com o desaparecimento de seu pai?

Quando Kiel, o filho gago do sapateiro, faz revelações incríveis a Rheita, juntos partem para uma aventura repleta de segredos ainda maiores, rumo a um outro mundo, Lagoena, a Terra Secreta que corre grande risco de não mais existir.

A menina deverá salvar esse lugar mágico, protegendo o tesouro do mapa da cobiça de um imperador amaldiçoado, enquanto segue o maior desejo de seu coração: encontrar o pai que nunca conheceu.

Lagoena: O Portal dos Desejos é o romance de estreia de Laísa Couto, autora que resgata a magia dos contos de fada em uma história emocionante e envolvente. Quando a verdade da sua vida lhe foi negada, fugir para um mundo fantástico pode ser a única salvação.


A obra já não se encontra mais no catálogo da editora, mas a autora não descarta a possibilidade de publicá-la de maneira independente algum dia. A resenha a seguir, portanto, tomará como base o texto editado e publicado em 2014, que é uma versão, a meu ver, com alguns pequenos problemas.

A fantasia tem um poder incrível. E eu tenho um fascínio pelo tipo de fantasia que Laísa se propôs a contar em seu livro de estreia, pois é algo com um gostinho de infância, com um tom de descoberta, uma jornada por terras desconhecidas, mas ainda assim tão familiares, pois, talvez, lá no inconsciente, a gente visite lugares assim quando dormimos.

O fato é que Lagoena: O Portal dos Desejos é um romance muito bom, e a autora consegue nos envolver sutilmente e, quando nos damos conta, estamos andando com Rheita e Kiel pela Terra Secreta, torcendo por eles, sofrendo por/com eles e nos divertindo com eles. A história ser toda sob o ponto de vista dos dois protagonistas (duas crianças espertíssimas e corajosas) pode incomodar alguns, mas pode ser agradável a outros. Eu simplesmente adorei a forma como foi narrada toda a aventura, apesar de me sentir incomodado com a total despreocupação de ambos para com as pessoas que deixaram para trás.

Os personagens que a dupla encontra no caminho são carismáticos e variados, e eu lamentei quando alguns deles cumpriram seu papel na jornada dos dois e não apareceram mais. Os lugares são fantásticos, e o mapa que acompanha o livro realmente é um item funcional e agregado harmoniosamente à trama, e não apenas um fetiche de autor de fantasia. O simbolismo que Laísa emprega em O Portal dos Desejos é riquíssimo, soa natural, mesmo quando criaturas de nosso folclore intercalam as de outras culturas.

Os pequenos problemas, contudo, consistem na edição, que cortou trechos para acelerar eventos, focando em mais ação e menos introspecção, sobretudo nos capítulos finais, quando parte da emoção de fim de prazo para salvar Lagoena e a busca pelas últimas chaves douradas simplesmente não existe. Acaba não empolgando tanto, pois o espaço de um acontecimento pro outro é brevíssimo. Contudo, ainda que haja pressa e foco na ação, Laísa mantém firmeza no desfecho dos antagonistas, não nos poupando de um pouco de horror.

E terminamos o romance com um nó na garganta, assim como Rheita, e eu dizer mais do que isso é spoiler.

É uma história que recomendo de olhos fechados por ser boa, mas não leia se você deixou sua criança interior morrer. E que a próxima edição possa trazer os trechos cortados pela editora, pois certamente eles fizeram falta e poderiam enriquecer ainda mais as aventuras de Rheita e Kiel pela Terra Secreta.

NOTA: 8,9

Meus Escritos #3: A Guerra dos Criativos

O primeiro pilar do que viria a ser o Lordeverso, A Guerra dos Criativos é um dos romances que mais me orgulho de ter escrito. Planejado inicialmente como uma trilogia de novelas, acabei por lançar um único volume, numa edição com mais de 400 páginas, incluindo um conto sobre a perspectiva de Zarak, um dos personagens mais queridos da história.

Embora seja um livro relativamente conhecido, há quem ainda não conheça ou saiba sobre suas origens e o que estar por vir.

Art by Tyler Jacobson
Falar sobre A Guerra dos Criativos e não mencionar o conto Zarak, o Monstrinho é uma afronta, então tudo começou com a história sobre a visita de um amigo imaginário a um aspirante a escritor (no caso, eu), passou por uma paródia natalina, O Natal de Zarak, e chegou no romance.

Escrito entre 2011 e 2012, a história se concentra na participação de Alec Silva numa guerra de mentes criativas, um evento que pode mudá-lo para sempre. Uma mistura de fantasia e autobiografia, assim como as obras mencionadas anteriormente, o romance introduz elementos que serão explorados mais profundamente nos livros posteriores, principalmente na trilogia Mundos em Conflito, onde conheceremos ainda mais detalhes dos eventos mostrados em A Guerra dos Criativos.

As pessoas sempre me perguntam de onde vieram as ideias e inspirações para esta história. Embora haja fatos verídicos e muitas homenagens a coisas que gosto, quase tudo ali foi escrito por puro e simples improviso. O tom vai aos poucos se tornando mais sombrio, enquanto acompanhamos o desenrolar de uma jornada e das últimas batalhas. Na nova edição, cujo subtítulo é Jornada aos Pilares, preferi eliminar parte dos trechos autobiográficos e incluir mais detalhes que conduzam para Colisão, além de incluir o conto Zarak, o Monstrinho.

Você vai perceber, se prestar um pouco de atenção, influência de antigos jogos do Master System, em especial os de plataforma e RPG; vai identificar referências a alguns animes, como Pokémon e Digimon, inclusive no duelo de criaturas; vai notar homenagens a filmes.

Mesma que faça parte de um universo maior, A Guerra dos Criativos pode ser lido isoladamente (um cuidado que tive com quase todas as obras do Lordeverso, com pequenas exceções nas pertencentes a séries literárias ou sequenciais). Talvez cause algum estranhamento por não seguir a fantasia mais convencional ou mainstream, talvez não agrade algumas decisões do protagonista, talvez agrade...

De qualquer modo, é um romance que me orgulho muito de ter escrito. E de ser o convite para conhecer o vasto Lordeverso.

Ah, e o subtítulo Jornada aos Pilares foi acrescentado na nova edição porque haverá um segundo romance, pora intitulado A Guerra dos Criativos - O Cântico de Sephora.


HISTÓRIAS PUBLICADAS



Lordeverso: sobre hierarquias e entidades dos planos

No Lordeverso, existe uma hierarquia que se estende do plano parafísico até, bem provavelmente, o Limbo. Faz parte dessa hierarquia apenas criaturas derivadas direta ou indiretamente dos Ascendentes, em especial o Lorde dos Lordes. E há entidades que possuem igual ou mais poder do que os presentes na hierarquia, mas não fazem parte dela.

Bow by wlop
Separadamente, quero apresentar cada uma das entidades e grupos da hierarquia cósmica, além dos que compõem os planos metafísico, intermediário e físico (em sua maioria, livres de hierarquias e diferentes dos artemagos e semelhantes por serem indivíduos com características especiais).

Neste primeiro momento, portanto, podemos classificar a hierarquia da seguinte forma:
  • Lorde dos Lordes, o Criador, o Ascendente Rebelde;
  • Descendentes, filhos diretos do Lorde dos Lordes;
  • Anjos, filhos indiretos do Lorde dos Lordes;
  • Remanescentes, Anjos ou filhos de Anjos que habitam o plano intermediário.
Da hierarquia, derivam direta ou indiretamente os seguintes grupos:
  • Lordes, governantes temporários do plano metafísico;
  • Juízes, criaturas metafísicas que regulam o plano metafísico;
  • Criativos, jovens dotados de alto poder de criar, uma vez estando no plano metafísico;
  • Paracósmicos, crianças e adolescentes semelhantes em alguns aspectos com os Criativos;
  • Guardiões das Letras, seres que zelam pelo Véu, principalmente.
E há as entidades especiais, que, embora possuam nomes genéricos, variam de uma para a outra:
  • Corruptor, último Descendente a morrer, considerado a antítese do Lorde dos Lordes;
  • Iconoclastas, seres físicos que manipulam a artemagia a níveis impossíveis até para artemagos;
  • Redentora, entidade de origem e poder desconhecidos, mas acredita-se que seja filha do Lorde dos Lordes.
Há menções a diversas criaturas e entidades em todos os planos, mas elas não são tão relevantes para configurar a hierarquia ou serem consideradas capazes de subvertê-la, como os mencionados acima, embora posteriormente eu dê detalhes sobre algumas.

Quanto ao Limbo, supõe-se que habitam entidades que, aos olhos das religiões, podem ser consideradas demoníacas, mas não existe, até o momento, informação que sustente tal teoria.