Bestiário #1: Grifo

Expandindo um pouco mais os temas do blog, vou iniciar uma série de postagens com algumas criaturas mitológicas. Como já existem vários sites ótimos sobre mitologia e folclore, não vejo necessidade de criar mais um, então vou manter por aqui mesmo, podendo ser útil a alguém, seja escritor ou leitor.


O grifo é uma criatura do Oriente, adotada pelos gregos, que o tornaram um dos animais preferidos de Zeus. Entre os persas e babilônicos, comumente era representados com corpo de leão, asas de águia e chifres caprinos. A forma mais conhecida é a de um animal híbrido: parte traseira leonina, dianteira aquilina, algumas vezes com orelhas de urso.

Entre os povos das estepes euroasiáticas, possui significado solar. Na Pérsia, era guardião do fogo sagrado; Filóstrato, escritor grego, mencionou que, na Índia, os grifos eram guardiões de ouro, algo bem semelhante ao mito do dragão. Na mitologia grega, porém, viviam perto dos hiperbóreos, um povo mítico que vivia no Norte, sendo animais consagrados a Zeus. Acrescenta-se ao mito o fato de fazerem ninhos com ouro, onde punha, segundo algumas fontes, ovos dourados ou feitos de ágata.

Na Idade Média, passou a ser o guardião da água ou árvore da vida.

Por causa da natureza dupla (leão e águia), o grifo é associado a Cristo (Deus e homem), conforme descrevem Isidoro Sevilha e Dante (Purgatório 29, 108). Participando do simbolismo da águia, é símbolo da ascensão e ressurreição; portanto, a lendária viagem em direção ao céu feita por Alexandre Magno sobre o dorso de um grifo é um indicação ao atrevimento contra a divindade.

Como símbolo de poder e domínio, o grifo foi introduzido na heráldica.

Na literatura, pode ser encontrado no Livro II de O Paraíso Perdido, de John Milton, em A Princesa da Babilônia, de Voltaire, onde são retratados em par, amigos de uma fênix, e já na primeira versão do clássico de Lewis CarrollAventuras de Alice No Subterrâneo, que foi posteriormente ampliada.

Possivelmente, os grifos são confusões de fósseis de Protoceratops, dinossauros ceratopsídeos que viviam na Mongólia, encontrados em escavações de minas de ouro ou pedras preciosas.

FONTES:
Dicionário de Simbologia, de Manfred Lurker
Minidicionário Compacto de Mitologia, de Nadia Julien

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