Sobre textos antigos e inéditos

Hoje abri uma caixa plástica, daquele tipo que se usa ou para guardar brinquedos de criança ou alimentos (aqui em casa, ao menos, fazemos os dois), mas em seu interior há mais de duas resmas de textos e mais textos escritos entre 2008 e 2012. O volume já foi umas duas ou três vezes maiores, contudo parte digitei (A Guerra dos Criativos Ariane, por exemplo, vieram de uma pilha assim, anos atrás) e outra apenas joguei fora simplesmente, num gesto de desapego.

O que ficou ainda guardado são histórias que pretendo revisitar, reescrever e reaproveitar ideias.

Death Valley by Jaime Martinez
Há uma duas dezenas de páginas iniciais de O Cântico de Sephora, romance sobre eventos anteriores aos narrados em A Guerra dos Criativos. Está em primeira pessoa, com algumas anotações no verso de cada folha (eu só uso um dos lados, o outro fica para rascunhos feitos a lápis ou tinta vermelha); provavelmente eu passe para terceira pessoa na reescrita. Gosto desta personagem; ela aparece em Danação. É uma guerreira poderosa, mentora de Ailith...

Mais 70 páginas (ou folhas, como preferir) de um romance de fantasia urbana incompleto. Efeito Lunar. Este era em parceria com uma amiga. Na época, algo que estava bem fora do que eu costumava escrever, mas tem conceitos bacanas. Tentei um revival tempos atrás, mas fracassei. Um dia pego o trio de protagonistas (um feiticeiro lunar alcoólatra, uma garota que é a chave para trazer uma entidade cósmica ao nosso mundo e seu melhor amigo, que se torna um espécime raro de vampiro) e dou a eles uma história mais decente em cima da velha ideia. Um dia.

Uma vez um amigo me deu umas 100 folhas rosadas de sulfite. Para desenhar, são horríveis. Mas eu fiz algo bacana ali. Nada original, é verdade, mas bacana. Em 69 páginas, escrevi uma aventura sobre princesas, bárbaros, vingança e violência. O título é bem bobo, mas acho que o manterei: A Princesa e o Escravo. Só vou reformular as coisas, rever outras. Fantasias sombrias andam em moda, né?

Achei 24 páginas de uma história que lembro o plot, mas não o título. Estranho, pois em geral eu conheço cada ideia minha por título (mantenho uma longa lista numa planilha só com títulos, pois sei exatamente a ideia só de olhá-los). É sobre uma garota que, após assistir à morte de seu mentor, procura ajuda de um soldado desertor. Algo sobre vingança. Mas é um mundo onde os soldados são treinados na alquimia, então conseguem manipular elementos. O desertor, por exemplo, manipula metal. A trama tinha um tom mais distópico, acho. Um dia revejo com calma. Vou chamá-la de Magnum Opus, já que a alquimia está envolvida. Depois penso noutra coisa.

Princesa Sofia. Este romance era pra ter sido descartado, mas tem um protagonista que quero reformular. O cara tem uma tatuagem amaldiçoada que lhe dá a habilidade de destruir almas. Isso é bem útil para ser jogado fora assim.

Outro que seria descartado, Príncipe Valentim, terá uma segunda vida como parte direta do Lordeverso. O plot antigo envolvia criaturas zodiacais e um romance entre um ser celestial e uma humana. Parte disso será aproveitada. Mas quero dar mudanças. Ah, o título também sofreu pequena mudança.

Há mais dois projetos. Ambos inacabados.

O primeiro é um romance de fantasia épica inspirado na mitologia celta. Já estava com 220 folhas e eu não tinha concluído. Não sobraram muitas folhas, pois digitei quase tudo. Abortei todo o projeto, mas estou retirando partes e criando outras histórias com elas. Não posso desperdiçar plots. Ah, o romance se chamava O Fantástico Mundo do Absurdo. Era para uma pessoa. Enfim...

E o segundo é uma resma e mais sei lá quantas folhas. Estava dividido em volumes. 5 completos e o sexto no começo. A Fábula Inacabada. Este eu quero reaproveitar quase tudo. Antes de A Guerra dos Criativos, era meu xodó. Personagens extraordinários, monstros, viagens por terra e mar, em dois mundos, contos de fadas com finais perdidos...

Tem mais alguns papéis avulsos, mas nada importantes, acho.

Ah, sim! Não está na pilha que peguei, mas lá no fundo. O Último Sopro. Ao menos era o título antigo. Violentíssimo. Este eu vou reformar com certeza. Envolve reencarnação e lutas por poderes extraídos da alma.

É, agora acabou.

Até qualquer novo surto de escritor maluco.

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