Adeus, Ariane, obrigado por existir!


Há quase 10 anos, entre junho e agosto, nasceu meu primeiro livro. Intitulado Ariane, era um amontoado de folhas sulfite com margens de um centímetro feitas com caneta, linhas horizontais a lápis... e muita, mas muita inexperiência. Baseada na mitologia grega, era uma história de amor e destinos que se cruzam e mudam presságios.

Enquanto eu tentava revisar e reescrever trechos para uma nova edição, a definitiva, aquela que corrigiria parte dos erros da versão mais recente, irritei-me com a dificuldade do trabalho, de como eu não conseguia mais me conectar com os personagens, com a protagonista que eu criei, dez anos atrás, um amálgama de referências femininas, de paixões e amores de um garoto de quinze, quase dezesseis anos.

Como escrevi recentemente, textos envelhecem e possuem seu tempo. E o de Ariane passou e acabou, podendo nunca mais retornar. Seus personagens, o casal formado por uma deusa helênica e um mortal brasileiro, já não são mais o tipo de criaturas que figuram em minhas histórias. O que eles representavam, há tanto tempo, não existe mais.

Eu já tinha decidido não incluir meu primeiro livro no Lordeverso, mantendo-o único e isolado. E hoje, com um pouco de pesar, despeço-me dele. Quem comprou, enquanto esteve na Amazon, possui o texto definitivo, por ora. Espero que aprecie. E me desculpa se não gostou.

Adeus, Ariane, a filha de Eros e Psiquê, uma idealização que já não cabe em minhas páginas. Adeus, Alexandre, símbolo do que deixei de ser. Obrigado por tudo. Obrigado por existirem.