9 de maio de 2017

Esboços & Devaneios #1

Flower season - Guardian by Efflam Mercier
No geral, eu não faço rascunhos, esboços nem planejamentos escritos de meus projetos literários. Sustento uma planilha com uma centena e meia de títulos, de contos a romances, de um lado, nomes de séries literárias de outro, o que publiquei logo à frente e sugestões de nomes de personagens mais adiante.

Mas isso não me impede de esboçar alguns devaneios repentinos, sejam de cenas, personagens e plots, ainda que tudo mude ou se adeque na hora de escrever o projeto (o que pode levar anos e anos, dependendo do meu ânimo).

Eu adoro criar personagens femininas e costumo levar dias e dias montando seus perfis, enquanto os masculinos me tomam pouquíssimas horas, se não minutos.

Ano passado, enquanto estava na fila da Lotérica aqui na cidade (para quem não sabe, moro em Luís Eduardo Magalhães, oeste baiano), pensei na trilogia de fantasia científica épica Camile e os Deuses de Mil Credos, que pretendo retomar assim que possível, pois é um projeto relativamente fácil, embora possua muito estudo de História e mitologias, além de simbologia religiosa. E quero concluir os três livros antes de retomar o segundo volume de Mundos em Conflito. Nisso, acabei pensando num projeto de 2011 e na personagem Lusbel.

Eis que me vi analisando algumas estudantes que passavam pela rua (juro que sem intenção sexual; eu realmente adoro observar mulheres que desconheço nomes e imaginar histórias, nomes e tudo mais em volta de suas imagens), e nisso fui montando a vida de Lusbel: filha de um humano e a princesa de um povo subterrâneo (que apresentei em Apóstolos de Pedra, primeiro volume da trilogia de fantasia científica épica, então sem spoilers), herdou a aparência da raça do pai e as habilidades da raça da mãe; quando o pai morreu e a mãe foi capturada por nazistas, logo escapou e devastou uma instalação militar inteira. Após este evento, Lusbel passou a ser criada por uma ordem de sábios e guerreiros, que ensinaram a ela os segredos mais profundos. Décadas depois, cansada de se esconder, Lusbel parte pelo mundo à procura dos Selos dos Tulpas, um conjunto de feitiços que, em mãos erradas, pode trazer ao mundo ameaças inimagináveis.

Alysha Nett
Paralelo a isso, uma jovem aprendiz xamã, filha de guerreiro de uma ordem mágica iorubá e uma repórter londrina, busca reunir os selos para vingar a morte de todos da aldeia em que morava, vítimas de um criminoso sádico, que se enfureceu com o velho xamã por não conseguir uma bênção.

Yara Shahidi
As duas, em certo momento, unem forças contra um adversário oriundo de um mundo esquecido, que acredita que o mais importante dos Selos dos Tulpas está dentro do corpo de uma garota que descende de um totem de um antigo povo indígena norte-americano, alguém que tem o poder de acessar planos de existência profundos e até mesmo desconhecidos para Lusbel.

Cheyenne Gordon
E este ano completei o time de protagonistas com Mavra, que já havia aparecido, numa versão anarquista no romance de fantasia sombria e horror cósmico Memento Mori (em outro momento, falarei sobre isto). Trata-se de uma russa com alguns poderes peculiares, oriunda de uma realidade em que humanos e artemagos entraram em guerra. Ao contrário de Lusbel, que evita o uso da violência, Mavra é impulsiva, arrogante e extremamente violenta em ação.

Modelo desconhecida.
Bem, é mais ou menos isso. Muita coisa pode mudar, e tudo depende, claro, de como o Lordeverso vai se esticar e permitir explorar novos mundos e personagens. Se tudo ocorrer bem, será um projeto "derivado" de Camile e os Deuses de Mil Credos, embora aconteça numa realidade cujos eventos da trilogia não aconteceram.

Inicialmente, pensei em um plot que comporta ao menos dois volumes, mas há muito o que ser decidido até lá.

5 comentários:

  1. Confesso que te entendo, e confesso que achei que eu fazia isso por ser mulher, mas sabendo que você também faz, agora fico pensando se há algo mais profundo nisso aí. Não é que os homens que escrevo sejam rasos, mas parece que as motivações das personagens femininas, o modo como pensam, agem, se expressam, ou apenas existem, é muito mais profundo e concentrado que o dos homens. Agora deu a coceira de tentar me aprofundar nisso e descobrir se é pela própria natureza de escrever uma mulher ou algum traço de personalidade/vivência que possamos ter um comum e nem sabemos.

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    1. Deve ser um pouco de psicologia no meio; se não me engano, dos arquétipos, os relacionados ao feminino e ao Sombra são os mais complexos. Não que homens não sejam criaturas também complexas, mas eu nunca tive dificuldades com eles, enquanto mulheres me intrigam, eu fico pensando pormenores... sei lá, mas é interessante isso.

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    2. Sim, queria saber. Será que dá pra reunir todos os escritores do mundo e perguntar? Acho que pode dar um pouco de trabalho... e onde vou achar tantas cortas e cloro... nah, mas sério, tenho vontade de lançar umas perguntas aleatórias de vez em quando e perguntar pra todos. Essa será uma delas se conseguir me organizar.

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    3. Posso levantar o debate, se quiser.

      Vamos ver o que rola com meus colegas e amigos escritores.

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    4. Seria ótimo! Acho que é um debate que pode ajudar bastante aos envolvidos (ou pelo menos ser muito interessante).

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