Meus Escritos #4: Paracosmos

Eu trabalho muito com a sentença "E se..." quando estou envolvido em alguma ideia ou projeto. E isso acaba ramificando algumas histórias: Mundos em Conflito, por exemplo, é um desses "E se..." que A Guerra dos Criativos trouxe. "E se os Criativos começassem a ser caçados, um a um, por um inimigo sedento por vingança, na Terra, como eles conseguiriam sobreviver sem poder criar?" Outro desse "E se..." permitiu o surgimento de um projeto, no mínimo polêmico.

Angel vs Demon by Siito16
Paracosmos é uma fusão de "E se os Criativos existissem em nosso mundo?" com referências a casos reais de crianças e adolescentes com desvios de conduta, muitas delas homicidas cruéis, psicopatia, depressão, transtornos emocionais, abusos infantis, teorias conspiratórias, amigos imaginários e sociedades secretas. Expliquei detalhadamente sobre os paracósmicos recentemente, então não irei me repetir.

Diante de um plot envolvendo crianças e adolescentes traumatizados e, não raramente, com potencial homicida em mãos, eu precisei me munir de material para não cometer absurdos além do que a licença poética permite. Reuni livros e revistas sobre psicopatia, li casos documentados de crianças e adolescentes extremamente violentos, assisti a filmes sobre pessoas com poderes paranormais que se encaixavam no que eu tinha em mente (Scanners, de 1981, e Village of the Damned, versão de 1995, são principais referências), li sobre dons extrassensoriais (tenho um livro antigo de um autor alemão que é leitura quase obrigatória para mim), além de tudo o que já havia usado para expandir o conceito de artemagia.

O primeiro conto, Esclera, nem seria parte da realidade dos paracósmicos, mas vi ali uma brecha para apresentá-los indiretamente e explorar levemente um conceito que, se tudo correr bem, irá sustentar um romance ou dois. As histórias seguintes, quase todas focam nas diversas possibilidades que os dons dos paracósmicos permitem: agentes de uma organização secreta que elimina ameaças, justiceiros e vingadores, domadores e imitadores de animais, assassinos em série, portais para criaturas sobrenaturais...

Transitando entre a ficção científica e a fantasia, as tramas apresentam não apenas situações envolvendo jovens com poderes sobrenaturais, que podem materializar criaturas e possuem amigos imaginários não tão inocentes; há questões delicadas: abuso sexual, violência doméstica, abandono, depressão, suicídio, justiça, vingança, noções de certo e errado, ética...

Embora protagonizadas por jovens menores de 18 anos em sua maioria, as histórias são quase sempre sombrias e violentas, algo que sempre tive em mente desde o início do projeto.


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