"Contos de fadas são mais que verdade; não porque nos dizem que dragões existem, mas porque eles nos dizem que dragões podem ser derrotados." G. K. Chesterton

29 de julho de 2017


26 de julho de 2017

[Especial] Arte do Dia #480

A arte de hoje é muito especial, pois é um presente da escritora, pintora e ilustradora Laura SaintCroix para mim. Possui alguns simbolismos que vão ao encontro do que gosto, mas não vou explicar um a um. Fica só meu agradecimento pelo presente. Adorei o desenho!


Vocês pode adquirir os e-books da Laura na Amazon: A Rosa e o Uivo As Belas Histórias dos LibertosEROTISMO e o fim da vidaSabbat e Sagrada Morte

25 de julho de 2017

A hipocrisia da valorização da literatura nacional

Há alguns anos, não sei exatamente quando (e estou com preguiça de checar os arquivos), escrevi este texto. E ele ainda continua tão real e atual...

Este post vai dar merda, e das grandes, mas vai ser escrito assim mesmo.

E não serei hipócrita; também tenho culpa nisso aí.

Mas vamos com passos lentos, até o ponto.

Esses dias, na andanças ali e aqui, deparei com alguns posts, em outros blogs, que pregavam uma campanha linda, muito linda: INCENTIVO E VALORIZAÇÃO DA LITERATURA NACIONAL. Um dos textos, a meu ver, era muito ruim; outro, muito bom; e um estava na medida.

Nas sugestões de livros que deveriam ser lidos, inclusive, títulos de Carolina Munhoz, Raphael Draccon, André Vianco, Leonel Caldela e de um time que mesclava bons autores do underground com alguns nem tanto, mas estavam ali por serem nacionais.

Não, não vou entrar no mérito de termos ou não bons autores. Isso é tão objetivo quanto eu achar os filmes da Marvel infantilizados e gostar de alguns poucos livros de Dan Brown ou preferir os filmes do Michael Bay ao invés dos de Martin Scorcese.

Nesses três posts que li, sem nenhuma exceção, havia escritores por trás deles e, consequentemente, leitores, mas, se não me engano, NENHUM deles citou sequer um livro que não fosse de uma panelinha. "Ah, mas eram bons livros!" Sim, de fato a maioria era, mas é uma caixinha pequena, quando o tema é LITERATURA NACIONAL.

E aqui é que vem a hipocrisia nossa de cada dia: quantos autores nacionais novos lemos anualmente, desbravando títulos obscuros e na sorte? Eu tenho mania de comprar livros de ficção cujos autores nada sei, independente se são nacionais ou internacionais; e costumo ignorar, com todas as forças, sugestões de amigos, afinal alguns possuem gostos duvidosos e meus gostos são peculiares e vocês não entenderiam.

Na verdade, de uns anos para cá, desacelerei quanto à leitura de livros de ficção, concentrando-me mais em leituras mais didáticas e voltadas aos temas que escrevo; não por me achar superior aos colegas de escrita, e porque simplesmente não consigo ler mais histórias que não sejam capazes de me trazer algo a mais, seja conhecimento ou aprimoramento de algumas poucas técnicas que agrego ao meu estilo. Isso atrasou leituras de livros de amigos, autores talentosos...

Só que o fato de eu não ler tais livros não me impede de divulgá-los. É simplesmente natural e quase automático eu dedicar alguns minutos de meus dias indo num link, pegar a imagem da capa e fazer uma postagem; é normal eu montar e-books para alguns sem cobrar pelo serviço; arriscar dinheiro num projeto que a prefeitura local se recusou a ajudar; é o tal incentivo, é o que posso fazer.

Um amigo, esses dias, criticou que eu não leria os contos dele mesmo, então não fazia diferença o que ele faria ou não; nunca mais o lerei, é bem provável, mas isso não vai mudar o fato de que o continuarei incentivando a escrever e melhorar, assim como o fiz ao pedir a um amigo, mais experiente, para ajudá-lo a reescrever um livro que estava, em nível literário e comercial, bem medíocre.

Uma amiga tem grande potencial, mas se lamenta muito, critica os leitores brasileiros, mas será que ela é uma leitora da nossa literatura, seja ela consagrada, independente ou inteiramente experimental?

Outro amigo, com centenas de livros encalhados, pouco se promove ou se dispõe a entrar em campanhas loucas com amigos e colegas literatos; é ruim ter exemplares mofando num canto, contudo ajudar o próximo poderia ser benéfico para ele.

Um jovem aqui na cidade quer lançar um livro solo, porém mal consegue promover a coletânea que participa e não incentiva os colegas de projeto; ou sequer consegue ir a um evento numa cidade vizinha.

Há quem encha grupos de spams, com artes elaboradas, mas não consegue compartilhar um simples post do colega, para dar aquela forcinha. E há quem se dedique a apenas sua causa e tapa os olhos para alguém que, talvez, o ajude vez ou outra sem jamais pedir nada em troca.

Uma vez, com alguns amigos, estávamos pressionando uma editora a rever as capas com imagens usadas ilegalmente, pois isso prejudicaria os autores do selo; em momento algum, culpamos os escritores por tal crime, mas foi um deles que nos intimou com ameaças, porque aquilo estava manchando sua imagem como autor, imagem esta que nem sequer havia começado (e nem foi muito longe, permita-me ser bem direto). Ali eu notei, com extrema clareza, que é cada um por si e foda-se o grupo!

Por fim, esses dias rolou campanha para que deixássemos alguns e-books de graça e usássemos uma hashtag; eu esperava que todos fossem se ajudar e fiquei decepcionado quando vi só autopromoção, havendo poucas e mínimas exceções em casos de autores que compartilharam post do colega. Lamentável...

Todo mundo quer ser lido e enche a boca para defender a literatura nacional, mas, vamos ser sinceros, está pensando no próprio umbigo apenas, nos centavos angariados na venda daquele livro que se dedicou tanto a escrever, no bem-estar de ser lido. Eu mesmo penso muitas vezes assim, quando olho os números baixos de vendas ou leituras que consigo, sempre imaginando como melhorar aquilo.

Eu não fico com bandeiras, pois as odeio; acredito, sim, que nossas histórias possuem grande peso, até mais do que as que vendem milhares de exemplares; acho que alguns autores best-sellers são tão ruins quanto os amadores, inclusive brasileiros, o que reforça muitos preconceitos e atrapalha ao leitor alcançar os bons, os que merecem realmente visibilidade; e tenho convicção que ninguém conseguirá ir longe com essa desunião que noto entre a classe de escritores ou com essas panelinhas que só leem livros uns dos outros.

Como eu falei certa vez para uma amiga: você não precisa ler o livro de ninguém, mas ajuda na divulgação, indicar para quem pode se interessar ou simples e humildemente compartilhar um link não irá roubar seus leitores nem necrosar o dedo.

Ou podemos ficar com essa hipocrisia de pedir valorização da literatura nacional... que escrevemos... ignorando a dos colegas.

24 de julho de 2017


18 de julho de 2017


Resenha #9: O último desejo [Andrzej Sapkowski]

Ano: 2015
Páginas: 318
Editora: WMF Martins Fontes
SINOPSE: Geralt de Rívia é um bruxo sagaz e habilidoso. Um assassino impiedoso e de sangue-frio treinado, desde a infância, para caçar e eliminar monstros. Seu único objetivo: destruir as criaturas do mal que assolam o mundo. Um mundo fantástico criado por Sapkowski com claras influências da mitologia eslava. Um mundo em que nem todos os que parecem monstros são maus nem todos os que parecem anjos são bons...

O irônico, cínico e descrente Geralt de Rívia perambula de povoado em povoado oferecendo seus serviços. Em seu caminho vai driblar intrigas, escolher o mal menor, negociar preços, alcançar o confim do mundo e realizar seu último desejo: assim começam as aventuras do bruxo Geralt de Rívia.

Witcher is Coming by SharksDen
Nunca tive muito interesse em livros de fantasia épica por diversos motivos, sobretudo por ser um gênero cujas histórias estão cheias de estereótipos, jornada do herói, maniqueísmo puro e simples e todo aquele modelo tolkeniano maçante. Há suas exceções, claro, e a saga do bruxo (ou witcher) Geralt de Rívia é uma das que mais se destaca.

Em O último desejo, Andrzej Sapkowski nos introduz a um mundo muito parecido com o nosso, em especial com a região do Leste Europeu, e é de lá que ele bebe com prazer para desenvolver a mitologia das histórias, além de criar versões para contos de fadas bem conhecidos. Trata-se, portanto, de uma coletânea com sete contos (seis isolados e interligados pelo sétimo, que foi fragmentado e distribuído ao longo do livro, funcionando como interlúdios entre um conto e outro) anteriormente publicados em revistas, onde se tornaram populares e deram fama ao autor polonês.

Após a primeira parte de A voz da razão, segue-se o conto mais ágil do livro, O bruxo. Na trama, Geralt se oferece para quebrar uma maldição que transformou uma princesa em estrige. Há breves vislumbres de intrigas palacianas, mas o conto é quase todo um belo exemplar do gênero espada e feitiçaria.

O terceiro conto, Um grão de veracidade, pega inspiração no conto A Bela e a Fera, contudo possui diferenças que, gradativamente, vão nos afastando do material original, inclusive tendo um final sangrento envolvendo o bruxo, a fera e a última das belas que se abrigaram temporariamente em sua morada.

O mal menor é vagamente inspirado em Branca de Neve, mas se distancia bastante (até mais do que a história anterior) quando a "Branca de Neve" revela-se uma assassina impiedosa, uma sobrevivente num mundo cruel e vítima de um terrível experimento. E Geralt, infelizmente, vê-se em uma encruzilhada que o marcaria para sempre.

O quinto conto, Uma questão de preço, eu achei um dos mais fracos, sendo, inicialmente, uma intriga palaciana rica em diálogos e situações que vão, pouco a pouco, revelando elementos que serão revisitados já no segundo volume de histórias, A espada do destino.

Assim como o anterior, Os confins do mundo inicia-se fraquíssimo, com situações que beiram o ridículo e nos faz questionar se o bruxo é realmente isso tudo que a fama prega. Contudo, de todos os contos, pareceu-me, a partir de determinado momento, aquele que melhor apresenta a situação sócio-política do mundo em que vive Geralt.

Já o título que empresta o nome ao livro, O último desejo, é, assim como o segundo, O bruxo, muito interessante e conclui muito bem a introdução à saga e alguns de seus personagens, além de dar início ao principal tema dos próximos contos, o destino.

Por fim, após seis interlúdios, A voz da razão é concluído satisfatoriamente, deixando um mau presságio sobre o futuro do protagonista. Durante toda a sua fragmentação é possível notar temas interessantes, além de nos permitir vislumbrar como Geralt carrega seus dilemas e convive com as consequências de suas decisões e ações.

Enfim, é uma leitura muito boa, embora possua alguns problemas quanto a ritmo e como algumas ações são inicialmente apresentadas, mas basta o leitor insistir e será recompensado com reviravoltas muito interessantes, reflexões sobre a condição humana, preconceito, vida e amor. É uma fantasia épica competente em sua concepção e no desenvolvimento, com amálgama de contos de fadas, literatura pulp e alguns gêneros fantásticos e de aventura.

NOTA: 9,5

15 de julho de 2017

Esboços & Devaneios #6

Indigenous Elf by Ana Carolina de Macedo ( Sora )
O ano era 2013. Uma amiga e eu tínhamos em mente duas histórias envolvendo mitologias e folclores bem específicos. Na primeira, havia uma fantasia mais leve inspirada em elementos célticos; e na outra, uma fantasia que ganharia contornos sombrios e pegaria elementos da cultura indígena brasileira, em especial palavras em tupi-guarani, contudo com criaturas e lugares praticamente originais.

Os anos se passaram e, infelizmente, nenhum dos dois projetos avançou muito, embora ambos possuíssem os protagonistas e as tremas bem definidas. Este ano resgatei os projetos e, numa divisão acordada, cada um dos coautores assumiu a inteira responsabilidade por um deles, podendo fazer as mudanças que quisessem. Nisso, acabei com As Terras de Edgar.

Na trama, uma criança de 12 anos, cuja imaginação é extremamente criativa, começa a perder rapidamente a noção do real e do fantástico quando estranhas criaturas, quase todas envolvidas numa guerra mágica, interferem em seu cotidiano e parecem interessadas nele. Paralelo a isso, o menino vê a vida mudar quando o pai anuncia um novo casamento, após tantos anos supostamente viúvo, pois a esposa (e mãe de Edgar) simplesmente enlouqueceu e desapareceu.

Contar mais do que isso é dar muitos, mas muitos spoilers.

A antiga versão do texto tinha mais de 7,7 mil palavras, as quais foram inteiramente reescritas e, a partir de um planejamento da coautora, Julia Magalhães, o texto atual seguirá os rumos que quero dar.

Por ora, o que posso dizer sobre o romance é:
  • A trama se passa na década de 1940, inicialmente numa cidade entre Bahia e Minas Gerais.
  • Com exceção dos humanos, todos os personagens que interagem com Edgar possuem nomes em tupi-guarani.
  • É uma fantasia sombria parcialmente rural, com algumas passagens pela urbana e com tendências à épica.
  • Há ligações com, no mínimo, 4 séries minhas já existentes.
  • Na antiga versão, a trama seria toda com o protagonista tendo 12 anos, mas na atual se encerrará com ele tendo quase 16.
  • Provavelmente terá aparições de criaturas de nosso folclore, mas, por ora, com mais de 17 mil palavras, todas as criaturas são originais.

11 de julho de 2017


9 de julho de 2017

[Conto] Momento

Assim como o conto Não Pode Chover o Tempo Todo, o conto a seguir encontrar-se à venda na Amazon.


I close my eyes
Only for a moment
And the moment's gone
All my dreams
Pass before my eyes, in curiosity
Dust in the Wind, Kansas

Ela me mostrou os três pontos brilhantes no céu.
— A luz mais brilhante é Marte — explicou, num sorriso empolgado. — Logo abaixo, Saturno. E à direta está Antares, que faz parte da constelação de Escorpião.
Era quase madrugada, e o vento frio me incomodava um pouco; ela, contudo, parecia à vontade, com os olhos perdidos naquele manto celestial acima de nossos corpos sentados no tapete aberto na laje da casa. Os cabelos esvoaçantes, ora ou outra cobrindo parte do rosto; enquanto falava, mantinha o olhar fixo no conjunto de dois planetas e uma estrela; quando terminou, olhou-me e deu risada, pois eu fazia — tenho certeza que fazia! — uma cara de bobo apaixonado.
— Você ouviu o que eu acabei de falar? — perguntou-me naquele instante.
— Sim, ouvi — respondi, sorrindo.
— E...?
— Marte brilhante. Saturno logo ali — respondi, indicando cada ponto mencionado. — E tem aquela estrela também. Antares, né?
Ela riu.
— Sim.
— É de Escorpião.
O vento veio mais forte, como se risse de minha situação.
— É, prestou atenção mesmo — disse ela, voltando a contemplar o céu.
Meus sentidos eram adaptados à presença dela: a visão se perdia em sua beleza, admirando cada expressão e interpretando cada gesto; o olfato captava seu perfume suave, e às vezes atrapalhava os olhos, que se fechavam, e era o único momento que tudo poderia — e costumava — se perder; e a audição se mantinha apurada, ouvindo sua voz, recolhendo cada palavra em intervalos silábicos.
— Claro que estou, oras — repliquei.
— Você sempre parece aéreo, distante.
— É, mas estou aqui, ouvindo você e aprendendo.
Desviei o olhar para o lado oposto de onde ela estava; dava para ver a copa de algumas árvores pequenas. Arrepiei-me tanto pelo frio quanto pela altura. Voltei a fitá-la.
— É que acho engraçado ouvir você falando sobre estrelas e planetas... — continuei.
— Engraçado?! — ela me encarou com uma leve seriedade no semblante.
— Não de graça... é... gracioso! Sim, gracioso combina mais com você.
— Gracioso, é?
A seriedade se desmanchou num sorriso sincero. Meu coração acelerou um pouco mais.
— Sim — confirmei. — Você fala com firmeza, com empolgação, com... ânimo. E isso é lindo, sabe?
— Sei, sim.
Ela se deitou, suspirando.
— Quando eu era criança, com uns seis ou sete anos, as pessoas me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse. Geralmente as meninas respondem “médica”, “enfermeira”, “bióloga”, “veterinária”... essas coisas mais comuns, né?
Assenti, embora ela não pudesse enxergar.
— Quando me perguntavam, eu respondia “astrônoma” — continuou, rindo um pouco. — Todo mundo me olhava com cara de espanto e perguntava que raios era aquilo.
— E onde vem essa paixão por astronomia?
— Não sei. Talvez dos livros. O céu e eu sempre tivemos uma relação de fascínio. Pelo menos, eu por ele. Astronomia, astrologia... gosto dessas coisas. As estrelas e os planetas me fascinam.
Era um momento sublime.
O céu acima de nós, cheio de estrelas e alguns planetas, como testemunha. O vento que me castigava e ondulava os cabelos de minha companheira. Ao longe, miados sobre os muros e os cricricris irritantes de grilos sob pedras. Ainda havia movimento nas ruas adjacentes: carros, pessoas, cachorros...
Mas era um momento sublime.
Uma poesia urbana, sem versos e métricas, sem rimas e decorações. Era algo nascido da alma, do coração que pulsava a cada palavra dita, toque trocado, segredo compartilhado. Se era amor, eu não saberia dizer, mas me fazia bem.
Ela me fazia bem.
E momentos como aquele, em que ficávamos apenas conversando, tinham o poder de neutralizar os efeitos de um dia ruim, de uma semana péssima, de um mês horrível. Aquela garota que olhava os céus com paixão indescritível tinha o poder de me acalmar e me agitar ao mesmo tempo; e pegar apenas uma dessas partes e abraçar.
Eu estava cansado do mundo, das pessoas, de tudo. Mas não dela. Nunca me cansaria de alguém como ela. E acho que ela sabia disso; se não soubesse, eu afirmava e reafirmava — e confirmava — todas as vezes que a situação pedisse.
Deitei-me ao seu lado, ainda sem ação ou reação. Encontrei os três pontos, o conjunto formado por Marte, Saturno e Antares. O perfume dela me atingiu com mais intensidade; fechei os olhos. Parecia que eu a ouvia respirar, e sua respiração era uma melodia.
Senti seus dedos se entrelaçarem aos meus; foi um aperto firme, mas não apertado. Sorri.
— Está esfriando rápido — falou. — Podemos entrar, se quiser.
— Não, vamos ficar aqui só mais uns minutinhos. Não quero perder este momento.
Ouvi-a suspirar e sorrir. Sim, seu sorriso era uma melodia diferente, que eu reconheceria em qualquer lugar.
Não sei quanto tempo foi os minutinhos que pedi.
Sei apenas que nossas mãos não se separaram.
E aqueles três pontos nos observaram.