Resenha #10: A espada do destino [Andrzej Sapkowski]

Ano: 2015
Páginas: 379
Editora: WMF Martins Fontes
SINOPSE: Geralt de Rívia é um bruxo sagaz e habilidoso. Um assassino impiedoso e de sangue-frio treinado, desde a infância, para caçar e eliminar monstros. Seu único objetivo: destruir as criaturas do mal que assolam o mundo. Um mundo fantástico criado por Sapkowski com claras influências da mitologia eslava. Um mundo em que nem todos os que parecem monstros são maus nem todos os que parecem anjos são bons...

No caminho para Brokilon, Geralt tropeça no corpo de um garoto, que provavelmente não tinha mais de quinze anos. O garoto foi morto por uma flecha, obviamente atirada com destreza, que ainda se vê cravada no seu crânio. Por experiência, o bruxo logo percebe o que aconteceu: certamente o garoto tinha se extraviado e entrado no território das dríades. Como outros que padeceram antes de igual sorte, provavelmente tinha acontecido o mesmo. Uma história triste, repetida com frequência.

A Shard of ice by Kisarra
Após me surpreender positivamente com O último desejo, tentei, o quanto antes, ler o segundo volume de contos da série; embora não tenha sido uma experiência parecida com o livro anterior, neste fui agraciado com momentos de partir o coração.

Em A espada do destino, Andrzej Sapkowski continua as aventuras do bruxo (ou witcher) Geralt de Rívia e começa a preparar o terreno para os próximos volumes, além de dar sequência a alguns poucos eventos vistos nos contos anteriores. Ao contrário do volume inicial da série, as histórias não são tão focadas em combates contra monstros; eles ocorrem, sim, mas são tão em segundo plano que servem apenas para complementar uma coisa ou outra. O emocional e os dramas dos personagens são o principal foco aqui.

O limite do possível, por exemplo, começa como uma divertida e empolgante caçada a um dragão; admito que lia com facilidade, mas me perguntava onde tudo aquilo iria me levar, pois somavam-se páginas e páginas de situações das mais diversas. Quando finalmente a coisa mostra ao que veio, temos divertidas batalhas entre cavaleiros e dragão, algumas reviravoltas e o tom meio pessimista e preciso de Sapkowski, que já deixa evidente o principal tema da maioria dos contos: o destino.

O segundo conto, Um fragmento de gelo, é outro que possui reviravoltas curiosas, pois inicia-se com a disputa entre Geralt e um feiticeiro pelo amor de Yennefer, que é incapaz de se decidir por um dos dois. É deste conto, aliás, que brota uma citação que me deixou inquieto por semanas: "— A verdade — disse o gavião — é um fragmento de gelo".

O fogo eterno eu considero o mais caricato e fraco de todos; não sei o motivo, mas cheguei ao seu final sem sentir provocado nem qualquer coisa. Apenas li e entendei (e gostei da reviravolta) e só.

Já o quarto conto, Um pequeno sacrifício, causou efeito semelhante ao provocado em Um fragmento de gelo, mas aqui temos Geralt tentando conciliar um príncipe e uma sereia, derrotar uma legião de criaturas marítimas assasinas e decidir-se em um novo relacionamento, ainda que restem lembranças de Yennefer e tal novo interesse amoroso possa estar findado ao insucesso. Eu achei, de todos, o mais melodramático, o que é um elogio, aliás.

Em A espada do destino, que empresta o título ao volume e serve de sinopse, continua os eventos de um conto do volume anterior, quando Geralt reencontra alguém que, embora lhe tenha sido prometida, ele se negou, posteriormente, a aceitar. E essa história é completada em Algo mais, que prepara as bases para os acontecimentos seguintes, além de continuar alguns eventos das histórias anteriores do volume.

Ainda que tenha sido uma ótima leitura, acabou ficando aquém do que foi O último desejo; é uma característica do autor, ao que parece, que adora oscilar e passear entre gêneros, levando seus personagens ao sabor de um destino que se mostrará impiedoso e cruel.

NOTA: 8,5

0 comentários:

Postar um comentário