A fábula épica "Alma Selvagem"

Era uma vez uma gata azul.

Toda noite, ela ficava olhando para céu, esperando a lua aparecer. E ficava triste quando chovia ou não tinha luar, pois era uma noite sem seu amor.

Ah, mas como ela pode se apaixonar pela lua?

Ninguém pode. A lua é inalcançável e fria, desprovida de qualquer sentimento, seja bom ou ruim.

A gata azul era apaixonada por um de seus poucos habitantes, um coelho branco e solitário, que dedicava parte de seu tempo enfrentando os dragões lunares.

O coelho lunar era, ainda assim, inalcancável. Mas tinha todo tipo de sentimento: ódio pelos dragões que destruíram tudo na lua; e amor pela gatinha azul, que também era, para ele, inalcançável.

Blue Cat by Val Mayerik
O maior problema de se combater os dragões lunares é que eles costumam aproveitar as viagens das baleias espaciais, imensas criaturas que vagam de mundo em mundo, sem qualquer motivo, apenas porque podem e querem.

Há quem diga que são as baleias que caem na terra, mas é um absurdo sem tamanho. Os dragões se enchem de fogo e caem, aproveitando-se da distração do coelho lunar, que precisa parar suas tarefas de matador para saudar aquelas que, com seu canto, criaram todo o universo.

E aqui reside outra atitude maligna dos dragões: eles não respeitam as baleias, e quem não respeita as baleias, dizem os mais velhos, não é boa criatura.

rabbit knight by pc-0
Os dois trechos acima foram o ponto de partida para o projeto Alma Selvagem, uma fábula épica sobre uma gata azul no meio da taiga, um coelho branco que vive na lua e, ao lado de outros coelhos, que lutam contra lobos devoradores de estrelas, defende o mundo de perigosos dragões cósmicos, reinos onde feiticeiros, magos e guerreiros (inclusive com belas armaduras) são todos animais.

Obviamente que não se trata de algo para crianças, embora os parágrafos acima possam dizer o contrário. Sequer pretendo seguir muito dessas linhas, então elas servem mais de base, com alguns elementos que estarão, sim, presentes, mas esta fábula sobre gatos, coelhos, dragões e outras dezenas de animais terá um tom bastante sombrio.

Para começar, é um projeto que estou escrevendo a mão, como há muito tempo não faço.

A seguir, por ser uma fábula, veremos tanto uma parte sobre a natureza e a vida selvagem quanto uma sobre aspectos humanos, com personagens das mais variadas formas: de um simples arminho ansiando se tornar um guerreiro celestial a um poderoso governador e seu exército de linces com armaduras; de temas delicados, como amor e perdão, a assuntos mais pesados, como depressão e suicídio.

E há violência regada com sangue. Bastante sangue, por sinal: as lutas pela sobrevivência, as guerras por poder, os combates entre animais e monstros... pois a natureza não é um desenho infantil da Disney.

Não sei ainda se será volume único, dois volumes ou algo com maior fôlego. E nem tenho planos de acabar ou revelar ao mundo esta história tão cedo. Por ora, fica só o registro. O tempo dirá o que será.