Gêneros Literários #18: Romance Planetário

Chegamos agora num gênero que particularmente aprecio muito, em especial porque foi graças a ele que descobri as publicações pulp e, consequentemente, comecei a ler alguns autores da época das pulp magazines e de períodos anteriores.

John Carter & Dejah Thoris on Mars by Boris Vallejo & Julie Bell
Iniciando nossa jornada, na Wikipédia, o "romance planetário (planetary romance, no original) é um tipo de história de ficção científica soft ou fantasia científica na qual o grosso da ação consiste em aventuras em um ou mais planetas exóticos, caracterizados por cenários físicos e culturais distintos. Alguns romances planetários transcorrem em uma sociedade futura onde viagens entre mundos via espaçonave são corriqueiras; outros, particularmente os primeiros exemplos do gênero, não o fazem, invocando tapetes voadores, projeções astrais e outros métodos implausíveis de viajar entre planetas. Em qualquer dos casos, são as aventuras planetárias o foco da história, não o método de viagem."

"Como o nome do gênero sugere, o romance planetário é uma extensão dos pulps e romances de aventura de fins do século XIX e início do século XX numa montagem planetária. Os romances pulp (de escritores como Henry Rider Haggard e Talbot Mundy) apresentam personagens destemidos em cenários exóticos e 'mundos perdidos' tais como a América do Sul, África, Oriente Médio e Extremo; uma variante ocorria em países reais ou fictícios de tempos antigos e medievais, e eventualmente contribuíram para o moderno gênero da fantasia."

"No romance planetário, as transformações da space opera são aplicadas ao gênero de romance pulp: o bravo aventureiro torna-se um viajante espacial, frequentemente da Terra, simbolizada pela Europa e Estados Unidos modernos (entendidos como centros de tecnologia e colonialismo). Outros planetas (nas primeiras histórias do gênero, Marte e Vênus) substituindo Ásia e África como locais exóticos, onde tribos hostis de alienígenas e suas decadentes monarquias substituem os estereótipos ocidentais de 'raças selvagens' e 'despotismo oriental'. Enquanto o romance planetário tem sido usado como um modo de expressar uma vasta variedade de ideias políticas e filosóficas, um assunto permanente é o do encontro de civilizações mutuamente alienígenas, suas dificuldades de comunicação e os resultados frequentemente desastrosos que se seguem."

"O primeiro autor a obter um grande mercado para esse tipo de história foi Edgar Rice Burroughs, cujos primeiros episódios da série Barsoom apareceram em All-Story, em 1911. Ainda que os escritos de Burroughs não fossem inteiramente originais, ele ao menos popularizou o conceito do tipo de aventuras pulp em outros planetas. Barsoom (Marte) de Burroughs manifestava uma mistura caótica de estilos culturais e tecnológicos, combinando dispositivos futurísticos tais como 'pistolas de rádio' e máquinas voadoras suspensas por um misterioso raio levitante, com anacrônicas cargas de cavalaria marcianas, um sistema feudal com imperadores e princesas, muitas lutas de espadas, e um código marcial pouco crível para justificá-las. O universo de Duna de Frank Herbert e Star Wars de George Lucas são descendentes diretos desta tradição de fundir o futurístico ao medieval. O conteúdo das histórias de Barsoom era puro capa e espada, constituindo-se numa série de aprisionamentos, lutas de gladiadores, fugas ousadas, matança de monstros e duelos com vilões. Elementos de fantasia são mínimos; com exceção da telepatia, a maior parte dos exemplos de 'magia' são dispensados ou expostos como parvoíces."

"As histórias de Burroughs deram origem a um grande número de imitadores. Alguns, como Otis Adelbert Kline, exploraram o novo mercado que Burroughs havia criado; mesmo Burroughs imitou a si mesmo em sua série sobre Vênus, iniciada em 1934. Depois de estar fora de moda por algumas décadas, os anos 1960 viram surgir um interesse renovado em Burroughs e na produção de imitações 'burroughsianas' por autores como Lin Carter e Michael Moorcock. Este gênero conscientemente imitativo, influenciado também por autores de espada e feitiçaria como Robert E. Howard, atende pelo nome de ficção 'espada e planeta', o próprio Howard escreveu um romance do gênero: Almuric; ela é essencialmente estática, um gênero 'retrô', visando reproduzir mais do mesmo gênero de história, com pouquíssima variação numa fórmula estabelecida. Talvez por essa razão, muitos autores de 'Espada e Planeta' tenham escrito séries com seqüências exageradamente longas, o exemplo extremo sendo a saga de Dray Prescot, de Kenneth Bulmer, composta de cinqüenta e três romances."

Dune - Leto II, transformation by AndrewRyanArt
A TV Tropes, por fim, dá alguns exemplos de obras que podem ser classificados como romances planetários: o desenho japonês The Vision of Escaflowne; as histórias em quadrinhos protagonizadas por Flash Gordon; os filmes Avatar, que teve forte inspiração nas obras de Burroughs, John Carter, adaptação do primeiro romance  da série Barsoom, Stargate e as séries derivadas, além do recente Thor: Ragnarok.

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