O horror que eu escrevo (e algo mais)

Dark and Darkness by Beloved Creature
O horror e o terror, como gêneros e manifestações da mente humana, possuem um facetas curiosas, tendo sido tema de infinitos debates em diversas épocas, por inúmeros escritores. Não é difícil, hoje em dia, encontrarmos o tratado de Lovecraft sobre o medo, por exemplo; ou o livro de Stephen King; ou algum estudo mais histórico, traçando a história do medo no Ocidente.

Para quem escreve e lê horror e terror, o medo e a repulsa fazem parte de uma realidade que pode ser sólida, que respeita as leis naturais, ou de uma realidade frágil ou ilusória, que se vê ameaçada por uma força sobrenatural e/ou alienígena.

Como eu não pretendo (e sequer possuo gabarito) escrever um artigo sobre as origens e a evolução dos gêneros de horror e terror, deixe-me, então, falar um pouco sobre minhas obras.

Sempre me vi, pela minha criação, envolvido com causos e histórias de assombração, onde lobisomens rondavam fazendas, livusias atrapalhavam sono de empregados e o fantasma de uma virgem tentava manter relações com homens solteiros. E até estive como personagem num conto com pesadelos, diabos e manifestações paranormais, quando criança.

Portanto, nunca duvidei (assim como ainda não duvido) da manifestação do sobrenatural, embora haja suas devidas ressalvas.

Por isso estou inclinado ao horror que lida com o oculto e o fantástico, habitado por monstros e criaturas infernais e extraterrestres, mundos antigos que resurgem em tempos modernos, trazendo com eles seres que jamais a mente humana deveria confrontar. É também minha preferência de leitura.

Mas há espaço para situações mais mundanas: como um grupo de estudantes de medicina e médicos que estudam anatomia humana com corpos de pessoas ainda vivas ou que eles próprios mataram; ou um escritor que usa sangue como tinta... ou o horror que uma vítima de estupro passa.

Há dois conselhos, aliás, que me foram passados e me norteam não apenas no horror, como em diversos gêneros:
  • Evite descrições detalhadas de cenas de tortura e assassinatos de crianças; choque o suficiente, mas sem perder o bom senso.
  • É de bom tom evitar, também, cenas de estupro descritivas, e só faça uso deste recurso se for realmente necessário; lembre-se que você pode ser lido por alguém que passou ou conhece alguém que passou por essa barbaridade.
Atualmente, embora tenha alguns projetos voltados ao horror em andamento, tenho optado em inserir seus elementos em histórias de fantasia, e observo, em diferentes mídias, que tem sido uma escolha de outros artistas, mesclando horror a drama, suspense policial, fantasia e aventura, por exemplo, resultando em obras de bom fôlego, atraindo tanto fãs do gênero quanto outros que veem-no com certo preconceito.

Mas, diante a situação atual do Brasil e do mundo, pergunto-me seriamente se os horrores reais, que lemos em jornais, assistimos em noticiários televisivos e ouvimos de conhecidos, não serão tão assustadores a ponto de os imaginados, ainda que com um pé na realidade e na perversidade humana (talvez projetada em criaturas de naturezas das mais diversas), não causarem aquele calafrio gostoso que apenas uma boa leitura provoca.

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