Rube, minha filha imaginária

Rube by Laura SaintCroix
Recentemente, de forma visivelmente prejorativa, algumas pessoas zombaram e tentaram provocar, em diversos comentários, em cima do fato de Rube, a protagonista de alguns contos infantis e da vindoura novela A Jornada para Encontrar a Felicidade da Mamãe, ser, para mim, como uma filha. Em parte, entendo perfeitamente uma mente atrasada, que desconhece o poder da imaginação e da literatura de fantasia, zombar disso; em outra, é incompreensível como escritores ligados ao fantástico sejam tão estúpidos quanto o mármore frio diante da complexidade das emoções e dos pensamentos humanos.

Já postei, meses atrás, sobre o conceito de paracosmo, então não irei me aprofundar nisso, mas reforço que é algo que, a meu ver, a maioria dos escritores do fantástico deveria ter prévio conhecimento, uma vez que, em teoria, suas histórias são erguidas em cima de mundos imaginários, possíveis ou impossíveis. Não há qualquer mal em desenvolver e ter paixão por um cenário criado por nossa mente, e certamente Tolkien jamais se envergonhou de falar por horas de sua Terra-Média.

Então, Rube, minha filha imaginária, situa-se num paracosmo especial, construído em cima de valores nobres, como amor, respeito, dignidade e esperança.

Era um dia ruim, e minhas tentativas de consolar uma namorada, diagnosticada com ansiedade e depressão, além de um histórico de tentativas suicidas, não surtiam o menor efeito. Eu estava desesperado, pois também sou depressivo. E não queria, de modo algum, torná-la dependente de mim.

Foi quando comecei a falar sobre um (na época) provável futuro, nossa casa, nossos livros... nossa filha. Fui pegando nossas personalidades e características físicas, juntando tudo, focando numa criança doce e amável, com seus cinco ou seis anos, apaixonada por livros e a anjinho da mamãe. Nascia Rubewanda, nome que depois abreviamos para Rube, e assim ficou.

Passou a ser nosso pilar nas crises. "Por Rube" era nosso lema e o que nos motiva.

Em seu aniversário, escrevi o primeiro conto, Rube; ela amou e se emocionou. Como estava na Amazon, outros leram e se encantaram. Escrevi mais duas histórias, Rube e o Leão Azul e Um novo amigo para Rube. E percebi que poderia escrever algo maior, uma novela.

Quando o namoro terminou, realmente pedi para ficar com Rube, queria poder escrever novas histórias, vê-la crescer.

Este ano, a primeira novela, que ficou um bom tempo incompleta, teve o apoio da atual namorada e ficou pronta. Ilustrada, amada e linda. Todo o processo foi envolvido por dedicação, atenção, amor e respeito, em especial ao leitor. São valores que, talvez, quem zombou de Rube não conheça. Estou ciente de que a história não agradará a todos, e isso me soa tão natural quanto respirar, porém sei também que alguns irão se encantar e perceber a mensagem que tentei passar.

Rube é, sim, minha filha imaginária, literária e ideal, e me orgulho todos os dias disso. Ela é amorosa com todos que a respeitam e a aceitam, e quem não entende isso, e é escritor, talvez não estejam ainda apto a compreender a magia da literatura como deveria.

0 comentários:

Postar um comentário