Gêneros Literários #23: Thriller Doméstico/Domestic Noir

Em geral, mantenho minha atenção nos gêneros relacionados à literatura fantástica, cobrindo fantasia, ficção científica e horror, como podem averiguar quem acompanhar as postagens da série sobre (sub)gêneros literários por aqui. Contudo, deparei-me com um gênero em particular que me chamou bastante a atenção, e eu gostaria de mostrar um pouco dele por aqui.

Cena do filme Gone Girl (Garota Exemplar), de 2014.
Aportuguesando, podemos chamar de noir doméstico, e considerá-lo como "um subgênero literário dentro da ficção policial. Embora usado anteriormente na discussão do subgênero do filme noir, o termo foi aplicado à ficção em 2013, pela romancista Julia Crouch, que foi descrita pela escritora criminal, Elizabeth Haynes, como 'a rainha do noir doméstico'. Crouch definiu o subgênero em seu blog:

'Em suma, o thriller doméstico ocorre principalmente em residências e locais de trabalho, preocupa-se amplamente (mas não exclusivamente) com a experiência feminina, baseia-se em relacionamentos e toma como base uma visão amplamente feminista de que a esfera doméstica é desafiadora e às vezes perigosa para os seus habitantes. Isso é praticamente todo o meu trabalho descrito.'

"Os romances de Crouch, Cuckoo, The Long Fall, Tarnished e Every Vow You Break, haviam sido categorizados como thrillers psicológicos, um rótulo que ela achava inadequado: 'O motor que dirige meu trabalho é mais revelador do que a montanha-russa de alta octanagem sugerida pela palavra thriller'."

"O termo foi abraçado pelos colegas romancistas, incluindo Rebecca Whitney em um artigo no jornal The Independent, onde ela descreve seu próprio assunto como 'o casamento tóxico e sua queda'. Whitney cita Sophie Orme, editora sênior da Mantle, sobre o recurso do domestic noir:

'Os leitores têm uma constante sede de realismo sombrio nos romances; para livros em que eles podem se identificar com os personagens principais ainda se veem retirados de suas experiências do dia a dia. O casamento parece-me ser o melhor cenário para explorar aqui — o ponto culminante de uma jornada de amor, uma parceria, um relacionamento em que um casal se coloca inteiramente nas mãos um do outro, onde realmente as apostas não poderiam ser mais altas.'


"Outra escritora de crime, A. J. Waines, descreve o noir doméstico em seu blog:

'A família ... é um caldeirão para o crime, trazendo consigo raptos, encarceramentos, problemas com infertilidade, infidelidade e falta de filhos. A casa é repleta de segredos familiares que voltam para nos assombrar. Este subgênero joga com a ideia de que a casa é o lugar mais seguro para se estar  OU ERA...?'

"O subgênero também foi rotulado de chick noir, embora a romancista Luana Lewis tenha escrito que esse termo era 'considerado ofensivo e degradante por muitos... A palavra chick implica inevitavelmente feminino; ou sinônimo de não ser levado a sério'." [Fonte]

O exemplo mais notório (e famoso) deste gênero talvez seja o filme Garota Exemplar, de 2014, baseado no livro homônimo, de Gillian Flynn, que também escreveu o roteiro.

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