Previsões de temas e tendências para a literatura em 2019

Liam Peters
Recentemente, participei de um webinário realizado pela editora da Oito e Meio, no qual ela apontou o que pode ser a tendência na literatura em 2019. No geral, são gêneros e temas que este ano ainda se mostraram fortes, com presença em listas dos mais vendidos no Brasil, mas também há coisas que, por diversos fatores, possuem força para o ano que logo se iniciará.

A não-ficção, para início de conversa, domina as listas com obras voltadas a temas empreendores e com assuntos de natureza mais espitualista/esotérica. As biografias aparecem, e o que se destaca possui um teor mais literário, um equilíbrio entre o fato e a narrativa próxima da estrutura do ficcional.

A poesia conseguiu maior destaque, até mais do que muitas obras de ficção, em parte pela adoção do estilo slam, além de uma forma transmidiática, abraçando redes sociais, temas tanto mais pessoais quanto sociais e mais próximos da realidade do leitor, assim como também há uma maior facilidade para se declamar nos poemas atuais, o que nos traz de volta ao movimento slam.

A crônica tem seu espaço, mas provavelmente o fenômeno seja similar ao da poesia, ou seja, maior apelo às redes sociais e temas mais próximos do cotidiano, com uma narrativa mais leve.

Agora, para a ficção, e com foco na literatura fantástica, que é o que eu escrevo e muitos que aparecem por aqui tanto escrevem quanto leem, a coisa toda é parte bem definidade, parte saber apostar.

Para a ficção, e a fantasia também, abordagens mais espiritualistas, místicas ou esotéricas podem ser uma boa: desenvolver histórias tanto com elementos quanto questões espirituais ou religiosos, de maneira construtiva, pode ser uma boa pedida. Paulo Coelho e Augusto Cury, dois autores que voltam e meia seguem por este caminho, aparecem constantemente nas listas, e já mencionei que a não-ficção mais vendida também. Há uma cada vez maior preocupação com os personagens, algo que lá fora ocorre há anos, tornando-os o motor principal da obra, e não reféns apenas do roteiro e do mundo em que estão inseridos.

A ficção científica pode se beneficiar, tal qual a fantasia, com questões espirituais e políticas, o que talvez favoreça distopias, em especial levando em conta alguns governos vigentes pelo mundo, incluindo no Brasil. Obras como a continuação de O Conto da Aia (assim como a série inspirada no livro) e o vindouro filme roteirizado e produzido por Peter Jackson podem oferecer fôlego ao gênero e interesse dos espectadores e leitores, que buscarão outras histórias similares.

E o terror segue em alta, obviamente, e cabe apenas ao escritor saber em qual público investir.

0 comentários:

Postar um comentário