PseudoCrítica #3: Errementari (2017)


SINOPSE:
No pequeno povoado de Alava, no século XIX, Alfredo investiga um caso envolvendo uma misteriosa ferraria na floresta, onde mora Patxi, sobre quem os locais contam histórias envolvendo pacto com demônio. Um dia, uma menina vai à ferraria e descobre a sinistra verdade por trás do local.

O cinema espanhol possui obras singulares, e quando mentes criativas se unem, conseguem criar pequenos tesouros que podem agradar tanto cults quanto não-cults. No fantástico, algumas produções se destacam pela estética, pelo humor negro, pela história... ou pela estranheza, e é o caso de Errementari, por aqui chegando com o subtítulo O ferreiro e o diabo.

A começar pelo idioma da película, a língua basca, que, assim como o povo que a fala, é envolta em mistérios. Há quem acredite que é o idioma vindo do próprio Deus, "tão natural quanto o arrulho para os pombos, o latido para os cães". Uma lenda conta que o diabo passou sete anos na região basca para aprender a língua, mas tudo que conseguiu dizer foi "sim" ou "não".

E é curioso que esse seja o idioma falado por todos os personagens (incluindo os diabos!) nessa fábula de fantasia com toques de horror, inspirada numa lenda basca.

Do jeito que o diabo gosta
O clima de inocência, pela personagem da órfã que se atreve a entrar na propriedade do misterioso e perigoso ferreiro, mistura-se harmoniosamente com a violência gráfica tanto das mortes que ocorrem quanto dos severos castigos que Patxi, o ferreiro, impõe ao diabo que ele mantém cativo. É como assistir a um conto de fadas que transita entre o pagão e o cristão, conseguindo equilibrar tudo numa história com personagens cinzentos e carismáticos, quem conhecer mais sobre folclores e lendas, vai reconhecer alguns elementos expostos na narrativa com facilidade.

O ápice da trama, por sinal, é de encher os olhos e causar alguns calafrios, com uma horda de demônios cutucando as almas dos condenados. Os efeitos visuais do fogo infernal e das criaturas, que contam, sobretudo com uma boa maquiagem a maior parte do tempo, com retoques digitais apenas, não devem nada a qualquer produção hollywoodiana.

Ao fim, pode não ser a obra-prima que muitos desejam, mas é impossível sair indiferente ao encanto macabro e poético desta fábula legitimamente basca sobre um homem tão terrível que até o diabo o temia.

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