[Conto] A violinista

Este pequeno conto é bem antigo. No antigo blog, data-se como publicado em 25 de outubro de 2014.

Na época, eu estava aconselhando uma amiga sobre uma ideia dela, então iniciei, pelo WhatsApp, o continho, continuando e concluindo numa postagem no Facebook. Por sorte, deixei registrado no velho blog e posso, agora, reapresentá-lo por aqui.

Autoria desconhecida
A estação estava com pouco movimento; pessoas indo e vindo, preocupadas com horários e compromissos, pensando em problemas. Ninguém notou a figura melancólica chegar, carregando o estojo com o violino, como se fosse uma maleta, numa mão e uma mala pequena, em couro preto e detalhes dourados, na outra. Ninguém reparou seu olhar distante, em algum lugar incerto no tempo e no espaço. E ela preferia assim.

Sentando-se num banco de madeira, cuja pintura estava desgastada pelo tempo, a violinista abaixou os olhos negros, enquanto uma pequenina listra cristalina passeava pela pele alva, encontrando seus lábios finos e rosados, e ali se perdendo a um sorriso que há muito morreu. Apresentou-se a secar a lágrima com um lenço com as iniciais C. S., seu nome artístico.

"Tudo bem, moça?", perguntou uma menina de cabelos castanhos e cacheados, parando diante daquela mulher cansada.

A violinista não queria mentir para uma criança, tampouco revelar suas dores; apenas esboçou um sorriso e abriu o estojo, pegando o instrumento, ajeitando-o de maneira a improvisar alguma canção. Não se importava em se apresentar para uma ou duas pessoas; havia aprendido que uma boa música é livre, assim como a alma.

E, por um minuto, toda a estação se encheu de uma sinfonia suave, algo tão mágico que todos pararam suas vidas medíocres para ouvir as cordas angelicais de um espírito de luz.

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