Gêneros Literários #31: Fairytale Fantasy/Fantasia de Conto de Fadas

Este gênero aqui é uma pegadinha e tanto. Quando esbarrei nele, tempos atrás, não consegui captar direito as coisas, porém, mesmo que soe estranho, não é difícil de entender e você vai notar que tem muita coisa produzida que se encaixa ou poderia se encaixar aqui.

Então, vamos lá conhecer este pequeno híbrido da literatura fantástica?

Knight of Fairy Township, Yoshitaka Amano, 1984
fairytale fantasy, ou fantasia de conto de fadas, dando uma aportuguesa malandra, "distingue-se de outros subgêneros de fantasia pelo uso pesado de motivos, e muitas vezes parcelas, do folclore".

"Os contos de fadas literários não eram desconhecidos na época romana: Apuleius incluía vários em O Asno de Ouro. Giambattista Basile recontou muitos contos de fada na Pentamerone, uma história de moldura aristocrática e recontagens aristocráticas. A partir daí, o conto de fadas literário foi retomado pelos escritores franceses do "salão" da Paris do século 17 (Madame d'Aulnoy, Charles Perrault, etc.) e outros escritores que retomaram os contos populares de seu tempo e os desenvolveram em formas literárias. Os irmãos Grimm, apesar de suas intenções serem restauraros contos que coletaram também transformaram os Märchen que eles coletavam em Kunstmärchen.

"Essas histórias não são consideradas como fantasias, mas como contos de fadas literários, mesmo retrospectivamente, mas a partir desse começo, o conto de fadas permaneceu como uma forma literária, e fantasias de conto de fadas eram um desdobramento. Fantasias de conto de fadas, como outras fantasias, fazem uso de convenções de escrita romanesca de prosa, caracterização ou ambientação. A linha divisória precisa não está bem definida, mas é aplicada, mesmo para os trabalhos de um único autor: Lilith e Phantastes, de George MacDonald, são considerados fantasias, enquanto sua The Light Princess, The Golden Key, e The Wise Woman: A Parable são comumente chamados de contos de fadas."

David Revoy
"Este gênero pode incluir contos de fadas modernos, que usam motivos de contos de fadas em enredos originais, como O Maravilhoso Mágico de Oz e O Hobbit, bem como recontagens de contos de fadas eróticas, violentas ou de outra forma mais adultas (muitos dos quais, em muitas variantes, foram originalmente destinados a uma audiência de adultos, ou um público misto de todas as idades, como a série de histórias em quadrinhos Fábulas. Também pode incluir contos de fadas com o enredo preparado com a caracterização, configuração e enredos mais completos, para formar um romance de criança ou adulto jovem.

"Muitas fantasias de contos de fadas são revisionistas, muitas vezes invertendo os valores morais dos personagens envolvidos. Isso pode ser feito pelo interesse estético intrínseco ou por uma exploração temática. Os escritores também podem tornar a magia do conto de fadas autoconsistente em uma recontagem de fantasia, baseada na extrapolação tecnológica de uma ficção científica, ou explicá-la em uma obra de ficção contemporânea ou histórica.

"Outras formas de fantasia, especialmente fantasia cômica, podem incluir motivos de conto de fadas como elementos parciais, como quando em Discworld, de Terry Pratchett, contém uma bruxa que vive em uma casa de gengibre, ou quando em Enchanted Forest, de Patricia Wrede, é repleto de princesas e príncipes tentando caber em seus papéis de conto de fadas nomeados.

"As configurações das fantasias de contos de fadas, como os contos de fadas de que derivam, talvez devam menos à construção do mundo do que à lógica dos contos populares. Príncipes podem vagar na floresta e voltar com uma noiva sem considerar todos os efeitos políticos dos casamentos reais. Um motivo comum, cômico, é um mundo onde todos os contos de fadas acontecem, e os personagens estão cientes de seu papel na história, ocasionalmente até quebrando a quarta parede", como ocorre parcialmente em Encantada, filme de 2007, ou em O Fantástico Mistério de Feiurinha, de Pedro Bandeira.

"Outros escritores podem desenvolver o mundo de forma tão completa quanto em outros subgêneros, gerando um trabalho que também é, baseado no cenário, uma alta fantasia, fantasia histórica ou fantasia contemporânea."

Por fim, podemos acrescentar à lista Neil Gaiman, Oscar Wilde e Italo Calvino como escritores mais conhecidos e que se aventuraram pelo gênero.

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