"Contos de fadas são mais que verdade; não porque nos dizem que dragões existem, mas porque eles nos dizem que dragões podem ser derrotados." G. K. Chesterton

"O Cão Negro": eleito um dos melhores livros de terror de 2018


O Cão Negro foi uma novela fix-up que iniciei sem muita pretensão, em 2012, baseando no meu pavor referente a cães negros. Saí costurando referências de horror e terror aqui e dali, incluindo cenas gore, pegando lembranças de minhas idas à fazenda de meus avós paternos... criando um mosaico variado de histórias interligadas, cujo elemento principal é o espírito de um cão vingativo.

Então o publiquei, após concluir o último conto (na ordem de escrita, não a que acabou sendo adotada, numa edição recente, depois de algumas críticas sobre a sequência de histórias).

E, para minha surpresa, tornou-se um relativo sucesso (não lembro números precisos, mas arrisco que ao menos 3 mil exemplares estejam por aí, entre vendidos, baixados gratuitamente e alugados pelo Kindle Unlimited).

Agora, o site Biblioteca do Terror elegeu meu livro, ao lado de nomes consegrados na literatura de suspense e de terror do Brasil e do mundo, como uma das melhores leituras de 2018! Eu fico realmente muito contente por ter agradado tanto com essa coleção de histórias de horror e suspense.

Para 2019, talvez, venha mais uma história para quem gostou de minha incursão no medo e na violência sobrenatural.


Livros que li #2: Fevereiro de 2019

Após atrasar um pouco, finalmente vamos ao post correspondente ao mês anterior.

Li menos do que havia lido em janeiro, contudo foi bastante produtiva e com uma diversidade muito bacana.

Como sou meio obsessivo, posto as duas edições de um mesmo livro porque sim.
Lendas, um projeto do Chiaroscuro Studios, foi a primeira leitura de fevereiro. É um bom livro, com ilustrações muito bacanas, assinadas por grandes artistas que prestam seus serviços a casas publicadas famosas, como a DC e a Marvel. Carece um pouco de mais profundidade, contudo a proposta é mais expor os talentos do estúdio do que servir de material profundo para pesquisas mais amplas.

Agora, se você curte H. P. Lovecraft, O Ciclo de Yg é uma excelente pedida. Para quem não sabe, Lovecraft foi ghostwriter, tendo escrito alguns contos encomendados por pessoas que tinham até mesmo uma linha apenas de ideia. Foi o caso das três histórias que compõem esta edição publicada pela Clock Tower. Eu particularmente apreciei bastante A Maldição de Yig, por fugir muito do que estamos acostumados a ler do estranho cavalheiro.

Recentemente, revi a adaptação cinematográfica do clássico Peter Pan, lançada em 2003, então fiquei com muita vontade de ler o original, mas não o tenho ainda em minha estante (uma falta que pretendo corrigir em breve). O jeito foi apelar pra versão escrita pelo Monteiro Lobato. Foi bacana, claro, mas só me fez ficar com mais vontade ainda de ler o original!

E, por fim, concluí a segunda leitura de O ùltimo desejo, que já resenhei aqui, inclusive. Conclua tão maravilhoso quanto foi na primeira vez.

"A Lição das Uvas" e as histórias dos Guardiões das Letras

Capa assinada pela Laura SaintCroix
Esta semana, a fábula A Lição das Uvas, escrita pela Bruny Guedes, que foi a editora de A Jornada para Encontrar a Felicidade da Mamãe, estreou na Amazon. Na trama, "Radolfo, o pequeno rato branco e Guardião das Letras, precisa cumprir uma importante e complicada missão: ajudar a raposa Yulli a saborear algumas uvas verdes. Incapaz de realizar tal tarefa sozinho e confiante na bondade dos animais de outras famosas fábulas, ele parte em uma pequena excursão, mas não imaginava que a coisa poderia ser mais difícil do que supunha".

Trata-se de uma história infantil com um dos personagens recorrentes nos contos e na novela protagonizada por Rube, bebendo de três fábulas antigas e muito conhecidas de inúmeros leitores. Sou suspeito demais para ficar aqui tecendo elogios, mas garanto que é uma leitura leve, divertida e com uma linda lição moral, afinal estamos falando de uma fábula contemporânea.

Meu desejo, inicialmente, era escrever apenas os contos da Rube e alguns dos Guardiões das Letras, para explicar melhor o conceito sobre os seres que guardam todas as histórias do Universo. Quando a primeira novela da trilogia infantojuvenil estava em desenvolvimento, ficou evidente que eu não conseguiria explorar muito dos conceitos dos Guardiões, então conversei com a Bruny sobre a vontade de expandir a mitologia literária em contos e noveletas. E ela se empolgou e me perguntou se poderia escrever algo.

Bem, eu não sei exatamente quantos contos a série Contos dos Guardiões das Letras terá, afinal já ando comprometido com Paracosmos, que ainda deve render mais três ou quatro histórias, além de alguns curtos derivados. Mas vai acontecer, até porque existem outros contos, já escritos, sobre outros personagens que devem dar as caras nos dois volumes seguintes da trilogia.

Por ora, deixei nas mãos de fadas da Bruny escrever algumas histórias, e, a julgar por essa estreia tanto do projeto quanto dela, vem muita coisa boa por aí.


PseudoCrítica #8: Mulgoe [Monstrum] (2018)


SINOPSE:
Yoon Gyeom é um sujeito leal do rei Jung Jong de Joseon. Ele luta contra um monstro que ameaça a vida do rei Jung Jong e um grupo de pessoas tentando depôr o rei.

O cinema sul-coreano anda, cada vez mais, expandindo as possibilidades de histórias, e uma tendência é a de mesclar gêneros para apresentar um conto específico. E mesmo quem não conhece quase nada ou absolutamente nada da história sul-coreana, ou seu folclore, pode ser brindado com produções muito interessantes.

Monstrum, como é conhecido internacionalmente, vale-se de um registro verdadeiro, sobre o estranho "caso real que ocorreu em 1527. O rei Jungjong mudou-se para outro lugar para evitar um monstro que apareceu no palácio". Aparentemente, ninguém sabe o que era a tal criatura, e é em cima desse mistério que o filme se sustenta.

Se correr, o Monstrum pea. Se ficar, o Monstrum come.
A meu ver o maior problema do filme está no contraste entre o que é apresentado em tela e o que foi vendido em trailers: se o primeiro e parte do segundo atos brincam com o espectador, fazendo-o duvidar da existência do monstro, a divulgação praticamente entrega muito da criatura (mas nem de longe revela as melhores cenas).

Tirando esse defeito, o que temos a seguir é uma história de ação, aventura, comédia e fantasia situada num período histórico, pelo que descobri, bastante próspero a superstições (a epidemia que aparece como pano de fundo no filme, por sinal, é a mesma que serve para a série Kingdom).

Se você já assistiu a algum filme sobre pessoas caçando animais selvagens e assassinos, Monstrum não foge muito dessa fórmula, mas entrega um material sólido e divertido, com cenas de combates quase sem cortes, num único plano, sanguinolência de primeira e um grupo de protagonistas que cada um se destaca por suas habilidades.

"Tá com a peste!"
Ainda que o final pareça um pouco covarde por buscar uma solução mais feliz, é um filme que indico bastante, mesmo que não seja o mais notório produto do cinema da Coreia do Sul.

Curiosidade: segundo o Bloody Disgusting, o visual da criatura lembra bastante o do haetae. Admito que não o conhecia.

Por mais absurdo que pareça, gore não torna nenhuma história de horror uma obra-prima


Lembro-me quando completei 18 anos e me propus a escrever duas histórias, ambas altamente violentas e pesadas (ao menos para minha mente ainda adolescente), com cenas de tortura, mutilações e insinuações de sexo e estupro. Um amigo, que leu ambas, chegou a me pedir para maneirar na violência.

Com o tempo, conforme fui amadurecendo como escritor, fui aprendendo a dosar a quantidade de sangue derramada nas páginas de minhas histórias, pois compreendi que mais do que simplesmente banhar o leitor no precioso líquido da vida, o horror se faz de camadas mais profundas, coisas que nem sempre são vistas ou, na mais fina das vezes, sentida.

Não é de se admirar, por exemplo, que muitos jovens atualmente achem que violência e sexo bastam para tornar seus enredos clichês em obras adultas ou, quiçá, carregadas de um horror subversivo, pois o gore, como dizem os tais ousados escritores de horror contemporâneo, a maioria crianças encantadas com aquilo que não entendem, seria o horror primordial, sem as amarras do "politicamente correto".

A meu ver, creditar ao gore um papel fundamental na base do horror e do terror é assumir uma ignorância sem tamanho, uma vez que o horror gótico, por exemplo, pautava-se, em temas macabros, como magia negra, satanismo, zoofilia, canibalismo, violências sexuais, incestos, vampirismo e ocultismo para compor suas histórias. Mas não era incomum que muito da carnificina ficasse à cargo do leitor imaginar.

A literatura de horror é, em termos gerais, sobre o medo.

Se há o horror urbano de Poe, também há o cósmico de Lovecraft. Se há o horror ocultista de Machen, há ainda o horror perverso de Barker. Se há o horror sugestivo de Kipling, há o horror descritivo de Stoker. E conhecer essas variadas faces do horror e do terror permite ao escritor descobrir qual é o seu, auxilia na maturidade da escrita e na melhoria da ideia a ser produzida.

O gore, então, deixa de ser uma ferramenta, como anuncia o prefácio da medíocre coletânea Carnificina: Contos das Cidades Malditas, cuja resenha fiz recentemente, de ideias repulsivas e que buscam ofender o politicamente correto, ignorando os gatilhos psicólogicos (afinal, diz a turma da suposta subversão, tal coisa foi criada para tentar impedir a manifestação da arte sangrenta). Ele passa a ser um elemento complementar apenas, unindo-se a um estudo mais profundo do medo, seja do conhecido ou do desconhecido.

Escrever horror, portanto, é retratar personagens dançando não até a exaustão, caindo agonizando, suplicando por suas vidas, mas envolvidos numa histeria tão grande que acabam morrendo por não conseguirem parar de se mexer; e não uma patética cena de pessoas "gastando" suas carnes no chão, raspando-as até não sobrarem muito, como se nosso corpo fosse um pedaço de giz. Além de risível, achar que nos gastaríamos como grafite é de uma incompetência criativa muito infantil.

Horror também não é descrever, por páginas, cenas de tortura sem o menor cuidado com emoções, nem visar chocar o leitor com uma adolescente devorando completamente dois adultos e uma criança em menos de uma hora. Tal decisão apenas demonstra que o autor pouco importa com o universo de sua história e nada sabe sobre anatomia humana.

A maioria das histórias de Lovecraft consegue assustar sem derramar uma gota de sangue, pois trabalha o medo do desconhecido. Alguns contos de Poe surpreendem e amedrontam justamente pelas ações vingativas e cruéis de seus personagens. Boas histórias de fantasmas nos apavoram por nos dar respostas inquietantes sobre a vida após a morte.

Mas o patético escritor de horror gore acredita piamente que sua história só é boa se não fizer o menor sentido e tiver muitas vísceras, estupros, fezes e situações constrangedoras de tão absurdas e incoerentes com a realidade.

Por isso, em muitos casos, eu prefiro contemplar escritores de horror de verdade, e não crianças mimadas.

"A zoomagista" e pequenos avanços em "Rube 2"

There are no strange creatures by kawacy
Há alguns dias, mostrei para minha atual editora as páginas iniciais da novela que compõe a segunda parte da trilogia infantil de Rube. Seu comentário, após olhar o título, foi exatamente este:

"Isso não é meio Animais Fantásticos e Onde Habitam?"


Um comentário bem animador (sarcasmo puro meu), uma vez que eu estou rodeado de pesquisas sobre bestiários, animais fabulosos e monstros folclóricos e mitológicos, buscando extrair, de cada livro e revista, algumas criaturas que estarão presentes na segunda grande aventura da filhota.

Eu olho para muita gente achando que foi ideia da Rowling escrever histórias sobre biólogos de criaturas míticas.

E não, não pretendo copiar Animais Fantásticos e Onde Habitam e tampouco acho que preciso copiar aquilo.

Até porque eu possuo inspirações muito melhores em minha biblioteca.

Mas é engraçado que dias após essa pergunta sobre o título (e que vai acontecer muito, tenho certeza), neste domingo, acabo de saber que um conto meu, A zoomagista, foi selecionado para uma antologia cujo tema é a mitologia grega.

É justamente meu desejo de testar uma profissão raríssima no meio mágico, um elemento que foi inspirado nos antigos estudiosos que escreveram bestiários, que me fez escrever a história de uma maga que se dedicou a estudar animais fabulosos e monstros míticos ao redor do mundo.

Foi uma forma de pôr à prova se minha ideia me afastaria ou me deixaria mais próximo do Newt Scamander, pois em Rube 2 (título provisório) será uma zoomagista que apresentará a maioria das criaturas que Rube encontrará em sua nova aventura.

Acho que consegui me afastar um pouco do bruxo Newt e me aproximar do naturalista Plínio, o Velho.

Sobre o conto A zoomagista: trata-se de um relato bem simples e objetivo sobre o que é um zoomagista, o que faz, como faz e como a mãe do narrador, que é esse tipo de maga, lidou com o caso de um fauno e uma ninfa de água doce, presa num lago envenenado.

A mesma editora que, acima, perguntou sobre as similaridades dos títulos e, talvez, das propostas, ajudou-me a melhorar e deixar o conto com mais recheio. Seria um sinal de que acertei o tom e consegui meu intento de contar minha história sem ler ou ouvir um fã chato me perguntar se quero copiar sua autora favorita?

"A Jornada para Encontrar a Felicidade da Mamãe": Onde comprar?

Foi uma longa espera, com imprevistos, mas finalmente a novela infantil A Jornada para Encontrar a Felicidade da Mamãe começou a chegar nas mãos dos compradores da pré-venda!


A recepção inicial tem sido extremamente positiva, com elogios à edição e às ilustrações em aquarela assinadas pela Laura, o que me deixa bastante contente por ter conseguido entregar um trabalho bonito e atraente a adultos e crianças.

E gatos também.


Agora, com os livros chegando às casas de quem prestigiou desde o começo, posso abrir as vendas para quem não comprou na época, seja por não ter dinheiro ou por preferir ver o material primeiro.


Portanto, para quem quiser ler o e-book, ele está na Amazon, por apenas R$ 5,99. É uma edição composta por todos os desenhos em nanquim da edição impressa, 5 aquarelas selecionadas (infelizmente o Kindle deixa tudo em tons cinzentos) e com uma capa especialmente feita para leitores digitais. Segundo o site, a versão possui média de 155 páginas.

Para quem prefere livro físico, a edição com 132 páginas, dezenas de ilustrações nanquim, 17 aquarelas coloridas, conto extra e marcadores de páginas inclusos pode ser adquirida diretamente comigo, por R$ 40,00 (com frete incluso)


Para breve, haverá uma edição vendida na Amazon.

E cogito, se houver interesse, numa edição simples, com as aquarelas em escala de cinza, o que deve baratear bastante o valor final do livro para o leitor.

*todas as fotos desta postagem fora fornecidas pelos compradores da pré-venda.

PseudoCrítica #7: Spider-Man - Into the Spider-Verse (2018)


SINOPSE:
Miles Morales é um jovem negro do Brooklyn que se tornou o Homem-Aranha inspirado no legado de Peter Parker, já falecido. Entretanto, ao visitar o túmulo de seu ídolo em uma noite chuvosa, ele é surpreendido com a presença do próprio Peter, vestindo o traje do herói aracnídeo sob um sobretudo. A surpresa fica ainda maior quando Miles descobre que ele veio de uma dimensão paralela, assim como outras variações do Homem-Aranha.

Há um tempo, numa conversa com amigos, comentei sobre meu desânimo com a nova versão do Homem-Aranha que a Marvel nos trouxe. Segundo reboot em tão pouco tempo, o estúdio precisou fazer duvidosas modificações no personagem, além de apelar à máxima quanto mais CGI, melhor para vender.

Então, quando anunciaram Spider-Man: Into the Spider-Verse (ou Homem-Aranha no Aranhaverso, no português), nao fiquei lá muito animado, mesmo que se tratasse de uma animação (péssima brincadeira com palavras, Alec).

Parte do elenco de voz desta animação maravilhosa.
Mas eis que o filme, que usa uma técnica completamente nova de animação, com um roteiro relativamente simples, mas com ritmo quase frenético, ótimas sacadas humorísticas, sem medo de mesclar referências Marvel e estilos, conseguiu a proeza de ser altamente elogiado, tornando, assim, a Sony o estúdio que, após falhar no primeiro reboot do Homem-Aranha, trazer o MELHOR FILME DO AMIGO DA VIZINHANÇA!

E não é por menos que mereceu levar a estatuaeta de Melhor Animação no Oscar deste ano.

Múltiplas Aranhas
Se Deadpool conseguiu fazer um filme decente com um personagem desbocado, fazendo uso de muita violência gráfica, quebra de quarta parede e alguns outros recursos metalinguísticos, Spider-Man: Into the Spider-Verse vai ainda além, estabelecendo um universo já conhecido por quem aprecia quadrinhos, contudo quase inteiramente novo a quem conhece apenas Peter Parker.

Aliás, a animação é um prato cheio de referências, autoparódias e memes, conseguindo, sem perder o ritmo da história, provocar gargalhadas e subverter, à medida do possível, elementos bastante gastos em produções de super-heróis.

Olha a dancinha!
Por falar em história, ela é muito simples, e com algumas surpresas, mas nada tão imprevisível, mas tão bem executada e com uma técnica de animação tão maravilhosa que é impossível não se sentir fascinado pelo que é contado. O design da cidade e dos personagens, por sinal, consegue alternar do futurístico ao mais underground, do mais proporcional ao caricato.

As cenas de ação, às vezes com uma pegada mais gibi, é de encher os olhos. A trilha sonora, meus caros, é muito bem encaixada, agitando quando precisa agitar e comovendo quando precisa comover.

Visualmente espetacular.
Enfim, é um baita filme para fãs e não-fãs, para adultos e para crianças. E, sobretudo, se você não aguenta mais tantos reboots do mesmo personagem e quer conhecer muitos vilões, novas versões do Cabeça-de-Teia, talvez esteja aqui uma franquia que mereça sua atenção.

Cada pôster lindo tem este filme!
Por fim, pequeno spoiler da melhor cena pós-crédito da história do cinema: