Resenha #6: Um Jardim de Maravilhas e Pesadelos [Ricardo Santos]

Ano: 2015
Páginas: 200
Editora: Independente
SINOPSE: Conheçam Lottar Gan Amon, um menino negro de nove anos, filho de uma feiticeira e de um devorador de almas. Lottar vive num país onde ciência e magia convivem numa relação tensa. Num período de guerra, com seu pai desaparecido no front, nosso protagonista tenta sobreviver com a mãe a tempos difíceis. Ele acaba descobrindo que o jardim mágico de sua família pode guardar a chave de um poderoso segredo.

Este é um romance juvenil para todas as idades, na tradição de Philip Pullman, Terry Pratchett, Diana Wynne Jones, L. Frank Baum e Ursula K. Le Guin.


Como não pode faltar em quase todas as resenhas, seguem os avisos: outra obra que eu fiz leitura crítica, há quase dois anos, e foi uma das melhores leituras na época. Trata-se de uma obra inspirada num conto alheio, que consta na edição, no apêndice; o autor teve consentimento da autora para adaptar e explorar livremente os personagens e os conceitos.

Mais do que uma fantasia juvenil, o romance Um Jardim de Maravilhas e Pesadelos é uma história que adquire um tom sombrio lentamente, mais ou menos no mesmo passo que o jardim em que dá nome ao título é explorado.

Pode parecer estranho, mas sou um fantasista que não lê muita fantasia, sobretudo a contemporânea, que se baseia na estrutura repetitiva elaborada por Christopher Vogler em A Jornada do Escritor ou tenta emular os estilos dos livros que estão "na moda". Claro que há exceções, mas elas são frutos de todo um processo que vai de cada autor. Por isso, sou bem seletivo, pois existem livros que não possuem histórias minimamente cativantes, sendo um "mais do mesmo" sem fim.

Ricardo, portanto, consegue se destacar por apresentar uma história cheia de fantasia, aventura e mistérios, numa narrativa que começa lenta, meio perdida, e vai avançando e crescendo, assumindo um potencial impressionante. Os protagonistas se alternam e assumem seus papéis de maneira natural, de acordo com o grau de perigo que enfrentam. O antagonista é bem encaixado na trama, ainda que sua história seja pouco explorada, mas a leitura permite saber claramente suas motivações.

Minhas maiores queixas são o fato de o autor não parecer seguro quanto a investir no mundo criado, que mescla fantasia e tecnologia, mais ou menos num estilo quase steampunk. A meu ver, é um desperdício de mundo imperdoável. E o gosto de quero mais que fica ao final da leitura, mas percebi ali um gancho, uma reticência deixada pelo inconsciente de Ricardo, que espero muito que o consciente entenda logo o que significa.

Boa pedida pra quem busca uma mistura de magia, suspense, ciência e aventura sem compromisso, mas muito além de muitas obras por aí, deixando um gostinho de quero mais que só aumenta cada vez que lembramos as boas doses de ação e as criaturas existentes no jardim.

NOTA: 9,0

0 comentários:

Postar um comentário