Bestiário #4: Os centauroides

Iniciando uma série de postagens sobre criaturas híbridas, com a intenção de servir de material introdutório a curiosos e escritores de fantasia, tomaremos como base o artigo na Wikipédia [em inglês], com informações complementares extraídas de outros sites ou artigos, além de, eventualmente, livros que eu dispor em minha biblioteca.

Para esta primeira parte, conheceremos alguns seres cuja parte superior é humana, enquanto a inferior de algum equino, os centauroides de diversas mitologias e folclores.

Anggitay
Anggitay by Brian Valeza
Anggitay é uma criatura com a parte superior do corpo de um humano feminino e de um cavalo da cintura pra baixo. Seria a contraparte filipina das centaurides, os centauros fêmeas. Também é considerada a contraparte feminina de Tikbalang.

Às vezes, as Anggitay são ilustradas como tendo um único chifre no meio de sua testa, exatamente como um unicórnio. E usualmente é dito que são atraídas por joias preciosas, e joalherias.

Acredita-se que a Anggitay geralmente apareça quando chova embora o céu fique claro.

Centauros
Arnold Bocklin
Os mais famosos centauroides, na mitologia grega, os centauros (em grego Κένταυρος, Kentauros, "matador de touros", plural Κένταυρι, Kentauri; em latim Centaurus/Centauri) são criaturas com cabeça, braços e dorso de um ser humano e com corpo e pernas de cavalo.

Os centauros viviam nas montanhas de Tessália e repartiam-se em duas famílias:
  1. Os filhos de Íxion e Nefele, que simbolizavam a força bruta, insensata e cega. Viviam originalmente nas montanhas da Tessália e alimentavam-se de carne crua. Alternativamente, consideravam-se filhos de Kentauros (o filho de Íxion e Nefele) e algumas éguas magnésias, ou de Apolo e Hebe. Conta-se que Íxion planejava manter relações sexuais com Hera, mas Zeus, seu marido, evitou-o modelando uma nuvem (nefele, em grego) com a forma de Hera. Posto que Íxion é normalmente considerado o ancestral dos centauros, pode se fazer referência a eles poeticamente como Ixiônidas.
  2. Os filhos de Filira e Cronos, dentre os quais o mais célebre era Quíron, amigo de Héracles, representavam, ao contrário, a força aliada à bondade, a serviço dos bons combates.
Ipotanes

Na mitologia grega, um ipotane era um membro de uma raça de meio cavalo, meio humano. Os ipotanes são considerados a versão original do centauro.

O ipotane típico parecia humano em geral, mas tinha as pernas, os posteriores, a cauda e as orelhas de um cavalo. No entanto, alguns tinham pernas semelhantes a humanos e não a cavalos (compare com os primeiros sátiros, cujas patas dianteiras eram frequentemente semelhantes a humanos).

O grego sugerido por "ipotane" é ιππότης (hippotes), significando "cavaleiro".

Onocentauros
Onocentauro em bestiário medieval (Der Naturen Bloeme, Jacob van Maerlant)
Onocentauro (do grego antigo: Ονοκένταυροι - onokéntauroi = onos: asno + kéntauroi: centauro, através do latim: onocentaurus) é um animal imaginário, com origem nos bestiários clássicos e medievais, semelhante a um centauro, com tronco de homem e corpo de asno.

Como outros seres lendários híbridos, sua natureza reflete e caracteriza o conflito entre as características humanas e animais. O onocentauro, especialmente, é considerado um símbolo da luxúria masculina ou de hipocrisia.

A primeira menção a um onocentauro parece remontar a Pitágoras, citado por Cláudio Aélio, em De Natura Animalium. Segundo Aélio, "seu corpo lembra o de um asno, de pelagem acinzentada, mas inclinando-se para o branco abaixo dos flancos. Tem peito de homem e rosto também humano, cercado de espessa cabeleira. Pode usar os braços para segurar objetos, mas também para correr. Tem um temperamento violento e não resiste ao cativeiro".

Sátiros
Satyr in the Willows by fleebites
Sátiro (em grego, Σάτυρος — Sátyros), na mitologia grega, era um ser da natureza com o corpo metade humano e metade bode. Equivale ao fauno da mitologia romana.

Na mitologia dos povos gregos, os sátiros (em grego, Σάτυροι, Sátyroi.) são divindades menores da natureza com o aspecto de homens com cauda e orelhas de asno ou cabrito, pequenos chifres na testa, narizes achatados, lábios grossos, barbas longas. Normalmente eram-lhes consagrados o pinho e a oliveira e apesar de serem divinos, não eram imortais. Viviam nos campos e bosques e tinham freqüentes relações sexuais com as ninfas (principalmente as Mênades, que a eles se juntavam no cortejo de Dionísio).

Originalmente, contudo, era um antigo espírito da natureza grega com o corpo de um homem, mas a cauda longa e as orelhas pontudas de um cavalo. Desde o início, os sátiros estavam inextricavelmente associados à embriaguez, conhecidos por seu amor ao vinho, música e mulheres. No Período Helenístico, os sátiros gradualmente começaram a ser descritos como homens com chifres e pernas de cabras, provavelmente devido à conflação com Pã. Eles acabaram sendo confundidos com os faunos romanos e, desde aproximadamente o segundo século d. C., eles foram indistinguíveis um do outro.

Silenos
Arnold Bocklin
Sileno (em grego antigo: Σειληνός, Seilēnós; em latim: Silenus) era, na mitologia grega (e posteriormente na mitologia romana), um dos seguidores de Dioniso, seu professor e companheiro fiel. Notório consumidor de vinho, era representado como estando quase sempre bêbado e tendo de ser amparado por sátiros ou carregado por um burro. Sileno era descrito como o mais velho, o mais sábio e o mais beberrão dos seguidores de Dioniso, e era descrito como tutor do jovem deus nos hinos órficos.

Com o tempo os seguidores de Dioniso passaram a ser chamados de Silenoi, "silenos". Eram representados sempre como calvos e gordos, com lábios grossos e narizes achatados.

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